Multas por falta da inspeção obrigatória aumentaram

Mais de 60 mil condutores foram multados no ano passado por falta da Inspecção Periódica Obrigatória (IPO) dos veículos, infrações que aumentaram quase um quarto em relação a 2010, indicam dados da PSP e GNR.

Dados divulgados à agência Lusa referem que no ano passado as duas forças de segurança multaram um total de 60.389 condutores por falta da IPO, mais 11.476 infrações do que em 2010, quando foram levantados 48.913 autos.

Apesar de ter sido a GNR que detetou o maior número de infrações, foi na área da PSP que se registou o maior aumento de carros a circular sem inspeção.

A PSP levantou 28.660 infrações no ano passado, tendo registado um aumento de 35 por cento face a 2010, quando foram multados 21.170 condutores.

Segundo os dados disponibilizados à Lusa pela Polícia de Segurança Pública, foi em 2011 que foram detetadas mais infrações por falta de IPO nos últimos cinco anos.

Já a GNR, que está em 97 por cento do território nacional, multou 31.729 condutores por falta de inspeção dos veículos, mais 3.986 do que em 2010, quando foram levantados 27.743 autos.

A multa por falta de IPO ascende aos 250 euros.

Contactado pela Lusa, o presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, defendeu que o aumento das multas por falta de IPO dos veículos está relacionado com a crise, uma vez que os automobilistas não têm dinheiro para reparar os carros para passarem nas inspeções.

"As pessoas não têm dinheiro para reparar os carros, por isso evitam as inspeções", sustentou, adiantando que o problema não está no preço da inspeção, mas sim no valor das reparações dos veículos necessárias para passarem na IPO.

O responsável sublinhou que as pessoas "preferem arriscar" e pagar os 250 euros de multa do que repararem o carro para passar numa inspeção, que muitas vezes pode ficar mais caro.

Carlos Barbosa considerou também "um perigo" a falta de IPO, tendo em conta que os carros podem ter milhares de problemas e que, sem inspeção, podem criar "insegurança para os outros automobilistas porque não estão nas condições normais de circulação".

O presidente do ACP estima que esta situação aumente com a crise, defendendo que as inspeções têm de ser mais rigorosas porque "o parque automóvel está cada vez mais velho e só através das inspeções é que se tem a certeza de quais os veículos que estão em condições de circular nas estradas".

Carlos Barbosa disse ainda que com a crise não são apenas as inspeções obrigatórias que ficam por fazer, mas todas as outras questões relacionadas com a manutenção das viaturas ficam igualmente adiadas, nomeadamente a mudança de pneus.

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