Mulher acusada de matar marido diz que foi acidente

A mulher acusada de matar marido a tiro em 22 junho de 2012, num apartamento no Porto, disse hoje em tribunal que nunca tinha visto a arma antes dos factos e que esta se disparou acidentalmente.

A arguida, Maria Ribeiro, de 48 anos, começou hoje a ser julgada na 2.ª Vara Criminal do Porto sob a acusação de um crime de homicídio qualificado -- vitimando o marido, Elísio Ribeiro - e de outro por detenção de arma proibida.

Após o crime, diz o Ministério Público (MP), a mulher retirou-se do apartamento, não disse nada a ninguém sobre o que tinha acontecido e foi-se embora para Viana do Castelo, onde nasceu e tem residência.

A acusação especifica que no dia dos acontecimentos, um sábado, o casal viajou de Viana do Castelo para o Porto, dirigiu-se a esse apartamento e manteve relações sexuais.

Após isso, a arguida foi à cozinha, pegou numa pistola que ali se encontrava, voltou para o quarto e disparou um tiro contra o homem atingindo-o na cabeça, afirma o MP.

A acusação afirma ainda que Maria Ribeiro colocou uma almofada sobre a cabeça da vítima, para não se ouvir o tiro.

"Pretendia ficar com os bens comuns" e prosseguir a sua alegada relação extraconjugal com outro homem, refere a acusação que o juiz leu.

A arguida abandonou depois do apartamento, levando as chaves e a arma, que mais tarde atirou para um ecoponto, e no dia seguinte ou na segunda-feira - isto não ficou claro - foi à GNR participar o "desaparecimento" do marido.

Confrontada com a acusação, Maria Ribeiro negou que tivesse ido à cozinha na altura referida e disse que o marido quis ter outra vez relações sexuais e que ela se opôs, devido a problemas que ele conhecia.

A arguida contou que o marido insistiu e que ela por fim anuiu, tendo sido essa altura, segundo contou, que viu a pistola sob uma almofada.

"Eu nunca tinha visto uma arma", afirmou Maria Ribeiro. Mas pegou nela, segundo disse, e ele tentou tirar-lha.

"Aquilo disparou" e uma das três balas que a arma tinha atravessou a almofada que estava entre Maria e Elísio Ribeiro, atingindo-o na cabeça e matando-o.

A mulher alegou que foi um acidente e que não tinha intenção de matar o seu marido.

"Eu apenas fugi. Não toquei em nada", contou hoje.

Minutos depois, acrescentou: "Não olhei para ele. Tive medo, fiquei em pânico e fugi".

Negou que fosse sua intenção ficar com os bens comuns, porque "não havia nada".

Maria Ribeiro deixou o marido baleado sob a cama e regressou a Viana do Castelo, "Queria estar à beira de alguém que me protegesse".

Quando prestou declarações no Tribunal de Instrução Criminal, após ser detido pela Polícia Judiciária, Maria Ribeiro disse que viu o marido pôr na cama a almofada sob a qual estava a pistola, mas hoje afirmou que não o viu fazer isso.

A arguida enviou depois uma carta ao homem com o qual, de acordo com a acusação, tinha uma relação estreita, onde a certa altura referiu: "Eu sei que fiz mal, mas eu só me defendi, se não era eu".

O tribunal lembrou-lhe o que escreveu, mas Maria Ribeiro respondeu estava a referir-se ao facto de não ter contado o que se tinha passado naquele sábado de junho do ano passado, tendo dito, ainda, que temia a reação da família do marido face ao sucedido.

O julgamento prossegue no dia 28 deste mês e a 01 de julho, a partir das 09:30.

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