MP faz alegações "absurdas e estapafúrdias", diz Sócrates

Ministério Público, afirmou ex-primeiro-ministro após novo interrogatório, "não foi capaz de apresentar nada" de factos ou provas.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates qualificou ontem como "absurdas e estapafúrdias" as alegações do Ministério Público (MP) sobre decisões que tomou sobre a PT e que alegadamente levaram o BES a pagar-lhe luvas.

Após um terceiro interrogatório de cerca de seis horas por parte dos responsáveis do MP pela Operação Marquês, cujo prazo para apresentar acusação termina sexta-feira, José Sócrates assegurou que as posições do MP "não têm" o mínimo de correspondência "com a realidade".

O ex-governante mostrou-se ainda convicto que "44 meses depois" do início do processo onde está indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, os procuradores "não têm nenhuma prova" para o acusar.

"Julguei que esta era a última oportunidade para o MP, finalmente, apresentar elementos de prova, elementos de facto, que pudessem sustentar as suas alegações", afirmou José Sócrates, mas "fiquei espantadíssimo porque o Ministério Público não foi capaz de apresentar nada, a não ser uma escutazinha aqui e outra ali", referiu ainda Sócrates no final do novo interrogatório.

Os responsáveis do processo "não têm evidências, elementos, factos ou provas" para formular uma acusação - mas apenas "uma teoria geral" que a imprensa reproduz acriticamente, argumentou o ex-primeiro-ministro. Considerando que "um MP decente" faria "imputações que pode fundamentar", o que aqui "não podem" ser feitas com base "em factos nem em provas", José Sócrates insistiu que os media "escondem" versões dos acontecimentos diferentes das que lhes são dadas pelos procuradores.

Sócrates deu como exemplo a falhada OPA da Sonae sobre a PT, onde "mesmo que a CGD tivesse votado a favor" dessa operação, "o resultado seria idêntico" porque os acionistas "votaram de acordo com os seus interesses". Ora, acusou o antigo governante, os jornalistas "fazem todo o possível por esconder essa realidade".

"Outra coisa que [os jornalistas] escondem" é que o negócio da fusão da PT com a brasileira OI "foi em 2013", no tempo do governo PSD/CDS e que foi este executivo quem "abdicou da golden share" do Estado na empresa portuguesa.

Sócrates repetiu depois o que já tinha dito antes de entrar para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP): tomou uma decisão sobre a PT que foi contrária aos interesses de Ricardo Salgado. Essa única intervenção, no sentido de impedir a venda da telefónica brasileira Vivo "com divisão de dividendos pelos diversos acionistas" - entre os quais o BES - "foi legítima e foi no âmbito da "golden share"" que o Estado então tinha. "Essa intervenção foi contra os interesses de Ricardo Salgado, do BES e da administração da PT. Querem agora reescrever a história", argumentou.

Além de Sócrates, cujos advogados o DN não conseguiu contactar até ao fecho da edição, o MP vai interrogar quarta-feira a ex-mulher do antigo primeiro-ministro, Sofia Fava, segundo fonte ligada ao processo citada pela Lusa, bem como Diogo Gaspar Ferreira, antigo presidente da empresa gestora do empreendimento Vale do Lobo.

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