Mourato Nunes é o novo presidente da Proteção Civil

A informação foi confirmada em comunicado pelo governo

O ministro da Administração Interna indigitou o Tenente-General Carlos Manuel Mourato Nunes para liderar a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Em comunicado é afirmado que serão agora desencadeados os "procedimentos tendo em vista a sua nomeação, concretamente a audição da Comissão Nacional de Proteção Civil, amanhã, dia 6 de novembro, pelas 12h00"

Quem é Mourato Nunes?

Licenciado em Ciências Militares e Engenharia Geográfica, o Tenente-General Mourato Nunes passou também pelo Instituto de Altos Estudos Militares, onde concluiu o Curso de Oficial General e o Curso Geral de Comando e Estado-Maior.

Foi Diretor do Instituto Geográfico do Exército entre 1993 e 1999 e Presidente do Instituto Geográfico Português entre 2002 e 2003, altura em que foi promovido a Tenente-General e assumiu as funções de Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, até 2008.

De 2008 a 2010 foi Secretário-geral do Secretariado para a Cooperação entre os Países de Língua Portuguesa em matéria de Segurança Pública. De 2010 a 2012 foi Presidente do Conselho Coordenador de Cartografia e Diretor-geral do Instituto Geográfico Português. É atualmente Consultor de Segurança e Defesa.

As mudanças

A indigitação surge na sequência da demissão, em meados de outubro, do até então presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil, Joaquim Leitão.

Fonte do Governo disse à Lusa que Joaquim Leitão entregou nessa altura uma carta de demissão dirigida ao então secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que, por sua vez, a remeteu para o primeiro-ministro, António Costa, atendendo à saída no mesmo dia da ministra da tutela, Constança Urbano de Sousa, do executivo.

A demissão foi aceite por António Costa, e seguiu-se à saída da ministra da Administração Interna e do comandante nacional operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Rui Esteves, em setembro, no pior ano de incêndios florestais da última década, que já deixaram mais de cem mortos e acima de 500 mil hectares de área ardida.

Joaquim Leitão esteve pouco menos de um ano no cargo, tendo sido empossado em outubro de 2016.

Na sua última declaração pública, Joaquim Leitão limitou-se a afirmar que o pessoal da Autoridade que chefiava continuava a dar "o melhor para que a segurança dos cidadãos seja efetiva".

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