Montijo é a solução para aeroporto complementar de Lisboa

Estudo entregue ao Governo conclui que a base do Montijo é a única solução para evitar rutura da Portela a partir de 2020.

O relatório final entregue ao Governo sobre o novo aeroporto de Lisboa conclui que usar a base do Montijo como infraestrutura complementar é a única solução viável para evitar a rutura da Portela em 2020.

O documento da consultora Roland Berger, com data de dezembro de 2016 e a que o DN teve acesso, faz a "validação de cenários em termos de procura e capacidade da infraestrutura aeroportuária para Lisboa" e analisa três hipóteses: manter-se a Portela, a "Portela + Montijo" e um novo aeroporto de raiz.

Em paralelo, sabe o DN, o Governo já enviou aos gabinetes ministeriais envolvidos - para comentários - um "memorando de entendimento" entre o Estado e a ANA, sobre "a definição e prossecução do processo para a expansão da capacidade aeroportuária na região de Lisboa no curto, médio e longo prazos".

No estudo encomendado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), o seu sumário executivo é taxativo: "De forma a assegurar uma solução que permita acomodar o crescimento o trafego no período a partir de 2019-2020 é necessário avançar no imediato para o aprofundamento da solução mais atrativa, "Portela + Montijo", e garantir o alinhamento dos principais [interessados]."

Aprofundar estudos técnicos preliminares e de impacto ambiental existentes, soluções técnicas aeroportuárias e desenvolvimento das acessibilidades, avaliação do impacto da solução "Portela + Montijo" em termos tarifários e contratuais, análise da sua viabilidade económico-financeira e validação da capacidade de mobilização das companhias low cost para o Montijo são as linhas de ação recomendadas.

Note-se que os vários estudos anteriores sobre o novo aeroporto de Lisboa não equacionaram o impacto das companhias low cost, dado ser um fenómeno recente, conforme lembrou fonte governamental ao DN, que contribuiu fortemente para o crescimento médio de 8% do tráfego aéreo na Portela em 2016-2017.

Com o tráfego no aeroporto de Lisboa a crescer (6%) o dobro da UE até 2020, a "Portela + Montijo" "deverá permitir acomodar o crescimento de tráfego previsto pelo menos até 2050, desde que assegurado o alargamento e optimização da gestão do espaço aéreo, assim como uma abordagem eficaz à transferência das companhias low cost para o Montijo", afirma o relatório.

O primeiro ponto colide com as necessidades operacionais da Força Aérea no Montijo, onde estão sedeadas as esquadras de transporte (C-130 e C-295) e helicópteros EH101 (busca e salvamento), enquanto o segundo esbarra na oposição já declarada da Easyjet em deixar a Portela.

Na solução "Portela + Montijo" e a concretizar-se "a transferência de parte do tráfego" das low cost para o Montijo a partir de 2020, a "Portela apenas atingirá 30 milhões de pessoas em 2035 (12 anos após a solução" de manter o aeroporto no atual espaço.

Esta hipótese, a primeira considerada pela Roland Berger, "não deverá ser viável para além de 2029-2031" com o aumento da sua capacidade atual.

Acresce que, optando-se pela solução de construir - por 5,4 mil milhões de euros, sem contar com os custos das acessibilidades - um novo aeroporto de raiz na área de Alcochete (que demoraria uma década) haveria uma "estagnação do tráfego e deterioração da qualidade de serviço da Portela até 2024".

Mais, frisa o relatório, ter-se-ia a "Portela totalmente congestionada ao longo de cinco anos (2020-24)" e nesse período "verificar-se-ia uma perda acumulada de 20 milhões de pessoas" no aeroporto de Lisboa.

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