Ministro recebe os quatro candidatos a chefe do Exército

O tenente-general José Carlos Calçada é o mais provável sucessor do general Carlos Jerónimo

O ministro Azeredo Lopes inicia hoje, no meio de um continuado coro de críticas, o processo formal de escolha do novo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME). A primeira pré-seleção dos candidatos já está feita, pois são ouvidos apenas quatro dos oito tenentes-generais do ramo.

Esses candidatos à sucessão do general Carlos Jerónimo, que se demitiu na quinta-feira do cargo de CEME, são José Carlos Calçada (Cavalaria), Fernando Serafino (Infantaria), Rovisco Duarte (Artilharia) e Faria Menezes (Infantaria), soube ontem o DN.

O caso que conduziu à demissão do ex-CEME começou com a admissão, pelo subdiretor do Colégio Militar (CM), de que os alunos homossexuais são excluídos - o que é inconstitucional e foi considerado "absolutamente inaceitável" pela tutela.

Carlos Jerónimo, instado pelo ministro da Defesa a demitir o subdiretor da escola depois de não apresentar medidas concretas para evitar a ocorrência daqueles casos de discriminação e responsabilizar o autor das referidas declarações, bateu com a porta perante o que qualificou como ingerência direta na cadeia hierárquica e de comando militar do Exército.

Quanto à audição dos candidatos, em que José Carlos Calçada surge como o mais provável sucessor de Carlos Jerónimo, cabe ao governo propor o nome ao Presidente da República após ouvir o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e de o Conselho Superior do Exército se pronunciar.

O tenente-general José Carlos Calçada é comandante do Pessoal do Exército e secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional.

"Constituição é para os adultos"

Garcia Leandro, tenente-general e antigo aluno do CM que foi vice--CEME, admitiu ontem ao DN que o subdiretor do colégio "foi longe de mais nalguns pormenores" das declarações ao jornal digital Observador.

Reafirmando que "não há discriminação" no CM por razões de orientação sexual, Garcia Leandro adiantou: "É verdade que são excluídos" alunos homossexuais, mas "fala-se com os pais e eles decidem" se tiram os filhos - que é o que acontece e permite assegurar "a proteção da comunidade dos alunos e alunas".

"Os miúdos não são cadetes" que frequentam uma escola militar, frisou Garcia Leandro, insistindo que "a Constituição é para adultos e não para crianças".

Segundo a Constituição, aprovada em 1976 e que em 1982 subordinou as Forças Armadas ao poder político, "todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados" nessa lei e "todos (...) têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei".

O coronel Carlos Matos Gomes, na sua página do Facebook, alargou ontem as críticas ao Presidente da República. Se a exigência do ministro ao ex-CEME para demitir o subdiretor do CM "é ilegítima [e constitui] crime", a aceitação da demissão pelo Chefe do Estado "viola a Constituição" porque o general Carlos Jerónimo rejeitou cumprir "uma ordem ilegítima".

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