Ministro da Saúde rejeita julgamentos políticos sobre morte no S.José

No dia em que foi chamado ao Parlamento para falar sobre a morte de um homem de 29 anos, Adalberto Campos Fernandes disse na TVI que não alinha em campanhas

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, rejeitou ontem fazer julgamentos políticos em torno do caso da morte de um homem no Hospital de São José, na sequência de um aneurisma roto que não foi tratado a tempo. "Não me quero juntar aqueles que fazem deste um caso de perseguição política", avisou, no início de uma entrevista à jornalista Judite de Sousa, no Jornal Nacional da TVI. "Casos que estão ligados à desgraça das pessoas não podem ser centrados no debate político." Um aviso que surgiu no mesmo dia em que o caso gerou um animado debate no Parlamento, onde foi aprovada precisamente uma audição do ministro e de antigos responsáveis da administração desta unidade.

O ministro lembrou que foi "pedida uma avaliação independente" do caso. "A pior coisa que podemos fazer é precipitação de análise, sejamos políticos ou profissionais de saúde", defendeu, lembrando que o Hospital de São José é "uma instituição centenária".

Recorde-se que o homem, de 29 anos, deu entrada no São José a 11 de dezembro, proveniente de Santarém, com indicações para ser sujeito a uma cirurgia urgente. Algo que não veio a acontecer porque a equipa de neurocirurgia vascular do hospital, com competências técnicas para aquele procedimento, deixara de assegurar a prevenção aos fins de semana. O doente acabou por morrer na madrugada de segunda-feira, três dias depois.

Questionado sobre estes factos, o ministro manteve a prudência. Nomeadamente sobre a possibilidade de o doente ter sido transferido para outra unidade, como o Santa Maria: "Já vi relatórios contraditórios. Há quem diga que a situação clínica destes doentes muitas vezes torna o transporte um risco", ilustrou.

"Apelo" poderia ter salvo doente

No entanto, acabou também por acrescentar: "Acredito que todos poderíamos ter feito mais. Se tivesse havido o apelo para uma equipa se deslocar ao São José, seja do setor público seja do privado", teria sido possível, considerou.

Adalberto Campos Fernandes recusou também associar as demissões em bloco que se seguiram - nomeadamente do presidente da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, e de Teresa Sustelo, presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Central, ao qual pertence o São José - a uma assunção de responsabilidades: "Não há aqui nenhum preço a pagar nem nenhum juízo de valor em relação aos profissionais", defendeu, acrescentando que os responsáveis em causa estavam em final de mandato e Luís Cunha Ribeiro até já lhe tinha comunicado a intenção de sair antes do sucedido.

M esmo recusando fazer leituras políticas do caso, o ministro não deixou de considerar que os cortes na saúde tiveram um impacto na capacidade de resposta: "É inaceitável que se diga que tudo se deve aos cortes, como me parece inaceitável que se diga que os cortes não tiveram qualquer feito", considerou, assumindo mais tarde que "a inexistência de uma equipa de prontidão [no São José] é um exemplo paradigmático de que os cortes resultaram num problema".

Sobre o que está a ser feito para contrariar os efeitos desses cortes, o governante deu o exemplo da abertura de "mais 150 camas de internamento" na região de Lisboa, que se se somarão outras 50, admitindo que no caso da Grande Lisboa foram cometidos erros históricos de projeção das necessidades que levaram a que o atendimento, em certas situações se assemelhe a "medicina de guerra". Prometeu ainda uma descida "inteligente" das taxas moderadoras, que premiará quem "vai aos centros de saúde" e "recorre à [Linha] Saúde 24".

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