Ministro anuncia investimento de 3ME em obras na costa de Ovar

O ministro do Ambiente, Ordenamento e Energia anunciou hoje, ao visitar locais de Ovar recentemente devastados pelo mar, três milhões de euros em obras a arrancar nas próximas semanas para defesa da orla costeira daquele concelho.

Depois de observar os estragos provocados pelo avanço do mar no bairro piscatório de Esmoriz e nas praias de Cortegaça, Maceda e Furadouro, Jorge Moreira da Silva reconheceu que as alterações climáticas fazem de Portugal um dos países sob maior risco de erosão na Europa e que, nesse mesmo contexto, a costa de Ovar é uma "zona prioritária".

O governante comprometeu-se, por isso, a avançar "nas próximas semanas com obras de três milhões de euros" nas referidas localidades de Ovar, especificando que, dessas quatro intervenções, três deverão ficar concluídas até ao próximo verão e que a de Cortegaça se espera terminada apenas "a tempo do próximo inverno".

Jorge Moreira da Silva realça, contudo, que "estas intervenções estavam todas estudadas e orçamentadas antes" das últimas investidas do mar.

"Não foi a circunstância de haver um temporal que nos leva a avançar para a obra agora", garante. "Isto significa que tivemos razão quando avançámos com as obras no Norte, que evitaram que houvesse agora danos maiores no Furadouro", acrescenta o governante, referindo os 600.000 euros de investimento nessa praia.

As novas intervenções anunciadas para Ovar consistirão em medidas como a construção e substituição de barreiras aderentes e o reforço da proteção de dunas e arribas, prevendo-se que esses trabalhos possam contar com 20% de comparticipação comunitária.

"O Litoral é uma das grandes prioridades do Ministério do Ambiente", recorda Jorge Moreira da Silva, afirmando que essa faixa do território português absorve a maior porção do orçamento da sua tutela, que lhe destina 300 milhões de euros a nível nacional e aplicará a maior parte dessas verbas em obras de defesa costeira.

"Há muito tempo que foram identificados os pontos nevrálgicos do litoral, que correm riscos sérios seja por razões históricas, já que 80% da nossa população vive na orla costeira, seja pelo facto de que 25% da costa sofre erosão e 67% está sob o risco de perder territórios", explica o ministro.

Esse panorama justifica que "20% de todos os fundos comunitários para Portugal sejam destinados a [intervenções relacionadas com] alterações climáticas", em resposta a "alterações que já são inexoráveis".

"É importante ter noção de que as mudanças climáticas infelizmente não são ficção científica nem matéria para daqui a 20 ou 30 anos", nota o ministro. "Elas já estão a decorrer e um dos países onde isso se vê é Portugal", assegura.

Jorge Moreira da Silva defende, por isso, que a estratégia não pode consistir apenas em obra física. "Estamos a falar do mar e de fenómenos climáticos extremos, cada vez mais severos", declara. "Temos que proteger as pessoas que estão aflitas, mas também temos que ter noção de que, no futuro, não podemos ter as mesmas políticas de ordenamento do território", acrescenta.

Para o ministro, impõe-se assim, "onde isso for possível, realojar as pessoas, embelezar a costa e adotar uma política de ordenamento mais exigente, capaz de proteger o Litoral e de, simultaneamente, explorar o seu potencial económico e turístico" - no que o governante aponta Ovar como "um concelho exemplar" dessa dupla dimensão.

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