Ministro abre concurso para séniores e quer mais vagas para internos em 2018

Ministro esteve no Parlamento a falar sobre internato. Ordem pede mais contratação e revisão das vagas nas faculdades

O Ministério da Saúde vai abrir em breve concursos para médicos assistentes graduados seniores e consultores, com o objetivo de fixar os médicos mais especializados no SNS e aos mesmo tempo garantir que maior quantidade de formadores para os médicos internos que estão a fazer a especialidade. O ministro Adalberto Campos Fernandes que espera que a medida possa levar a Ordem dos Médicos a aumentar as capacidades formativas. Bastonário dos Médicos defende a revisão do numerus clausus das faculdades.

Este ano mais de 340 jovens médicos não tiveram acesso a vaga para a formação na especialidade e outros 270 desistiram durante o processo. Um problema que se tem repetido nos últimos anos e que levou à chamada do ministro da Saúde ao Parlamento, no mesmo dia em que já ia participar na audição regulamentar da Comissão de Saúde. Aos deputados Adalberto Campos Fernandes garantiu que "o processo correu de forma exemplar", que o "ministério abriu todas as vagas e a Ordem dos Médicos fez um esforço adicional e aumentou marginalmente o número de vagas".

Mas Adalberto Campos Fernandes espera conseguir algumas mais no concurso a realizar no próximo ano, apesar de reconhecer que o sistema, público e privado, não tem resposta ilimitada. "Do lado do governo há coisas que podem ser feitas. Iremos abrir, dentro em breve, concursos para assistente graduado sénior e consultores. Isto é um sinal claro para que médicos mais velhos reencontrem motivação no seu trajeto na carreira e para que nos próximo anos haja a possibilidade de a Ordem dos médicos considerar mais capacidade e abrir mais vagas", anunciou, reconhecendo que o SNS tem "falta de médicos qualificados na faixa entre 50 e 60 anos". Resultado da "redução intempestiva dos numerus clausus nos anos de 1980 que criou um gap geracional" e das saídas para o privado ou reformas antecipadas.

O ministro lembrou que este foi o ano em que abriram mais vagas para a especialidade - 1758 quando, por exemplo, em 2014 foram 1533 - e disse estar disponível para trabalhar com todos os partidos para encontrar uma solução. Voltou a defender a realização de uma "auditoria externa, que tem de ser trabalhada com a Ordem, para responder à questão se tem ou não o país na sua rede pública, privada e social capacidade sobrante com qualidade e segurança" de vagas de internato da especialidade.

Sobre os 114 médicos que ficaram sem formação especifica, o ministro disse já não serem tantos e revelou "que irá estender a permanência" destes no SNS. Adalberto Campos Fernandes defendeu que é preciso "encontrar soluções independente dos governos", ao mesmo tempo que deixou um alerta: "Também não é útil dar um sinal errado que esta vocação é destinada a emprego certo, o que não acontece em nenhuma profissão. Por outro lado, a formação é muito cara para estarmos a fazer proliferação de cursos pelo país".

O bastonário dos Médicos reagiu ao número de jovens médicos que ficou sem acesso a especialidade, através de comunicado, dizendo que "a solução já foi por diversas vezes apresentada" aos ministérios da Saúde e do Ensino Superior. Uma delas é a adequação do "numerus clausus às capacidades formativas das escolas médicas, que têm atualmente centenas de estudantes em excesso de que resulta uma formação clínica deficiente".

Em relação à saúde, Miguel Guimarães afirmou que "a contratação dos médicos em falta no SNS permitiria aumentar de forma significativa as idoneidades e capacidades formativas e consequentemente o número de vagas" e que o ministério deve deve criar as condições necessárias, nomeadamente ao nível da carreira médica, para que seja possível aumentar a capacidade de formação no setor público e no setor privado".

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