Militares marcaram mais protestos para Dezembro

As associações socioprofissionais dos militares entregaram hoje no Palácio de Belém um documento em que pedem a Cavaco Silva para não promulgar o Orçamento do Estado e marcaram "encontros de militares" em quatro cidades do país para Dezembro.

Os presidentes das três associações do sector - Associação Nacional de Sargentos, Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e Associação de Praças - deixaram na portaria da residência oficial do Presidente da República um documento dirigido ao chefe da Casa Militar em que apelam a Cavaco Silva para vetar o Orçamento para 2012 hoje aprovado pela Assembleia da República. As associações invocam, no texto do documento, "as consequências para as Forças Armadas e para os militares" que decorrem das medidas contidas no orçamento e a opinião de diversos "especialistas" que põem em causa a sua constitucionalidade.

Depois de deixarem o documento na portaria do palácio, os dirigentes associativos dirigiram-se aos militares que estão a fazer uma vigília em frente da residência oficial do Presidente da República para anunciar novas "iniciativas descentralizadas" para contestar as medidas de austeridade que os afectam. Assim, foram anunciados "encontros de militares" em Braga, Monte Real (Leiria), Entroncamento e Beja entre 05 e 17 de Dezembro. O objectivo, explicou o presidente da AOFA, Pereira Cracel, é promover iniciativas nos locais em que os militares desempenham as suas missões e a "troca de impressões" entre esses militares e os dirigentes associativos.

Estes "encontros descentralizados" seguem-se assim ao plenário de militares promovido em Lisboa em Outubro, à manifestação nacional de 12 de Novembro e à vigília de hoje. Segundo as associações, mais de 10.000 pessoas estiveram na manifestação e mais de 200 concentraram-se hoje em frente do Palácio de Belém. De manhã, os dirigentes das associações estiveram também nas galerias da Assembleia da República enquanto decorria o debate e a votação final do Orçamento do Estado para 2012 para manifestarem com a sua presença as preocupações que têm em relação às medidas de austeridade que os afetam e que, dizem, estão a pôr em causa o funcionamento das Forças Armadas.

Estas associações consideram que as políticas de contenção orçamental são "altamente penalizadoras" para os militares e afectam a dignidade de um grupo profissional que desempenha uma missão específica e tem também obrigações muito especiais: as Forças Armadas, sublinham, são o garante da independência e da soberania nacional e as pessoas que as integram estão disponíveis a dar a vida para cumprirem a sua missão. Os militares apelam directamente a Cavaco Silva para intervir, sublinhando que o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas.

Na intervenção que hoje dirigiu ao grupo em vigília, o presidente da Associação de Praças, Luís Reis, citou ainda declarações recentes do Presidente da República em que Cavaco Silva defendia maior "equidade" na repartição dos sacrifícios e alertava que "há um limite" para os sacrifícios que se podem pedir aos portugueses. Luís Reis pediu a Cavaco Silva para agir de acordo com estas declarações e usar os poderes que tem para vetar um orçamento que é "o mais mortal ataque às condições devida dos portugueses".

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