Metro perde passageiros, Carris e Fertagus aumentam

O metropolitano de Lisboa, a Transtejo e a Rodoviária do Alentejo tiveram uma quebra de passageiros na comparação do acumulado de Janeiro e Julho de 2011 e 2010, o que pode ser explicado pela crise.

Quanto ao tráfego médio diário nas pontes sobre o Tejo diminuiu na ordem dos quatro por cento.

Segundo o especialista em Transportes e professor universitário, José Manuel Viegas, com o aumento do desemprego, há uma tendência para as pessoas deixarem de andar de transportes porque já não vão trabalhar.

"Quando a economia está em baixo, as pessoas começam a andar menos de carro e a andar de transporte colectivo. Numa primeira instância pode aumentar o uso do transporte público, mas se a coisa persiste e começa a haver mais desemprego, depois as pessoas passam a fazer muito menos viagens de transporte colectivo porque deixam de ir para o trabalho", explicou.

"Um aperto suave tira pessoas do automóvel para o transporte colectivo. Um aperto duro tira pessoas do transporte e ponto final", acrescentou.

José Manuel Viegas, que já estudou o comportamento dos utentes em momentos de crise, disse ainda que há casos em que as pessoas conseguem arranjar outro emprego, mas num local "geograficamente menos conveniente" e vão dar um maior uso ao carro.

Nos dados fornecidos à Lusa, o metro de Lisboa regista que o acumulado nos primeiros oito meses do ano passado foi de 106.953.737, enquanto, no mesmo período, em 2011, foi de 105.907.967, descendo 1.045.770 passageiros (menos 01 por cento).

Nos números da Carris, a variação entre os acumulados mostram um crescimento de 0,4 por cento.

No ano passado, nos autocarros de Lisboa andaram 142.449.323 passageiros e este ano o registo até ao mês de Julho foi de 142.953.892 passageiros, num acréscimo de 504.569 passageiros (0,4 por cento).

No comboio que faz a travessia da Ponte 25 de Abril, a empresa Fertagus registou um acumulado este ano de 13.647.954 passageiros contra 13.458.942 em 2010, numa subida de 01 por cento (189.012 passageiros).

A maior diferença nos números, em termos de diminuição foi em Abril, com uma descida de 12 por cento: em 2011 viajaram 1.792.415 e em 2010 2.031.112 passageiros (menos 238.696).

Ainda no grupo Barraqueiro, a maior perda de passageiros (24,5 por cento) deu-se na Rodoviária do Alentejo que passou de 3.499.027 para 2.642.569 em 2011.

Há ainda dados negativos na Rodoviária de Lisboa (-1,8 por cento, com perda de 856.458 passageiros), na Eva (-3,9 por cento com menos 175.429 passageiros de um ano para outro) e na Frota Azul Algarve, com menos 10,2 por cento. Passando de 523.991 no ano passado para 470.542 passageiros entre Janeiro e Julho deste ano.

Na comparação dos oito meses dos dois anos, o total do grupo Barraqueiro teve uma variação negativa de 1,7 por cento, com a perda de 1.163.995 passageiros (67.066.456 em 2011 contra 68.230.451 em 2010).

O Grupo Transtejo registou uma descida do número de passageiros, que recusa explicar como um "retorno ao transporte individual".

"Até porque se verifica um aumento nas horas de ponta (dois a quatro por cento) e uma redução nas horas de vazio (10 a 12 por cento) e admitimos neste último caso, por efeito da crise e menos euros para passear", referiu a empresa numa resposta à Lusa.

Entre Janeiro e Julho de 2010, a Transtejo transportou 14.367.461 e no mesmo período de 2011 14.082.360 passageiros (quase uma quebra de dois por cento).

No tráfego médio diário das Pontes sobre o Tejo, no acumulado entre Janeiro e Julho, na Ponte 25 de Abril o registo baixou 4,3 por cento (1.053.474 em 2010 contra 1.007.687 de 2011).

O mês com mais registo de passagens de veículos foi Julho. Em 2010, o registo médio por dia foi de 165.542 viaturas e este ano de 156.047.

Este ano a 'barreira' das 150.000 passagens médias diárias foi alcançada em Junho e Julho, enquanto em 2010, isso já tinha acontecido em Abril, maio e Junho.

Na Vasco da Gama, a diminuição de tráfego médio diário rondou os 4,8 por cento, sendo o acumulado entre Janeiro e Julho de 2010 de 450.591 e em 2011 de 428.667 (menos 21.924 passagens médias diárias de veículos).

Também nesta travessia do rio, Julho é o mês com mais tráfego médio por dia: 65.622 este ano e no ano passado foi de 70.590.

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