Mega-agrupamentos vão criar distanciamento escolar

Os diretores das escolas contestaram hoje a criação de novos agrupamentos escolares, alertando para o aparecimento de direções escolares "distantes" e incapazes de acompanhar as necessidades de todos os alunos, funcionários e professores.

O Ministério da Ciência e Educação divulgou na passada quarta-feira uma listagem de 67 novos agrupamentos escolares, dos quais doze têm mais de três mil alunos.

Para o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, o MEC está a tomar decisões baseadas em "razões meramente economicistas" e está a esquecer-se da importância que a proximidade tem com o sucesso escolar.

Manuel Pereira critica a opção ministerial numa época em que é preciso estar mais atento à situação das famílias e aos problemas dos alunos.

"Num mega agrupamento com muitas centenas de alunos, com muitos professores e assistentes não é possível uma gestão de proximidade nem a construção de laços de cumplicidade, que são tão fundamentais. Olhamos para mais esta lista de agregações como um passo negativo", criticou em declarações à Lusa, lembrando que "uma escola não é uma empresa qualquer".

O MEC afirmou, em comunicado de imprensa divulgado quarta-feira, que os agrupamentos criados no âmbito da reorganização escolar "têm uma dimensão equilibrada e racional" e "têm em conta as características geográficas, a população escolar e os recursos humanos e materiais disponíveis".

Os novos agrupamentos entram em vigor quando forem nomeadas as novas Comissões Administrativas Provisórias e as escolas continuam a funcionar normalmente.

No entanto, segundo Adalmiro Fonseca, "só daqui a dois ou três anos é que estes agrupamentos estarão a funcionar normalmente a nível pedagógico e de organização".

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