Médicos internos do Hospital de Coimbra recusam fazer urgência geral

Cnetro Hospitalar de Coimbra envolto em ações de descontentamento dos médicos em formação

Os internos da especialidade de anestesiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) querem deixar de fazer urgências gerais a partir de dezembro, alegando que põem em causa o regulamento do internato médico e não contribuem para a sua formação. Para isso, decidiram enviar pedidos para que sejam excluídos das escalas médicas. Esta é mais uma tomada de posição dos internos do hospital, que tem estado envolto em várias polémicas. Ainda nesta semana, o DN noticiou que dois internos decidiram processar a unidade, por estarem a fazer mais horas extras do que o previsto na lei.

Um dos envolvidos no processo contou ao DN que "os médicos já começaram a enviar cartas e e-mails à direção de serviço. Estão a pedir para ser excluídos da área médica 1, que é a urgência generalista, alegando que as matérias de formação cabem à Ordem dos Médicos (OM)".

Ao todo, deverão participar nesta ação entre 15 e 20 internos, "ficando de fora os do primeiro ano, que não fazem urgência, e os do último, que já têm autonomia". Questionado pelo DN, o centro hospitalar respondeu que "desconhece" a existência destes pedidos.

A ação está a ser preparada há algum tempo, já que os internos desta especialidade pediram à OM um parecer sobre estas questões, nomeadamente sobre "os colegas que estão a ser abrangidos compulsivamente nestas escalas". Além de estarem a ser colocados em demasiadas escalas, queixam-se de estar a ser integrados em funções que não são as suas. "Para já, nem todos os internos estão nas mesmas circunstâncias, já que há especialidades que não estão a ser abrangidas. No nosso caso, estamos a ser incluídos. E a fazer um trabalho que nada tem que ver com a especialidade, que é trabalhar na triagem. É uma carga extra que prejudica a formação", refere, embora admita que "no seu serviço a formação seja respeitada, bem como as horas em urgência".

Na comunicação que estão a enviar , incluem o parecer da Ordem dos Médicos, que apela a que "estas funções nas urgências sejam anuladas, repondo a legalidade do regulamento do internato médico".

Mas este não é caso único. A OM já emitiu pareceres em diversas especialidades, nomeadamente em hematologia, endocrinologia e infecciologia. "São áreas médicas, o que não quer dizer que faça sentido colocar todos os internos a fazer a urgência generalista. Não estamos a tomar esta posição porque não queremos trabalhar, mas porque queremos fazer a nossa formação e temos medo de que, sem o direito ao descanso, haja mais erros e a qualidade seja afetada."

Mesmo fazendo uma urgência por mês, são espaços no horário que ficam por ocupar e que terão impacto. "Terão de resolver o problema com os especialistas. Geralmente estas escalas são garantidas sobretudo por internos", lamenta.

Quatro urgências numa semana

As situações do CHUC estão longe de ser únicas. No ano passado, os internos de medicina interna do Amadora-Sintra recusaram fazer horas a mais, tal como os de cirurgia do CHUC em julho. Em Faro, têm sido recorrentes os problemas. Nesta semana, um interno de ginecologia queixou-se à OM por ter demasiadas urgências. "Já aconteceu estar escalado para três numa semana, mas é a primeira que está em quatro. E ele tem de ir de Portimão para Faro. Isto deixa-o sem tempo para fazer outras atividades", lamenta Carlos Cortes, o presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Médicos.

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