Médicos de clínica geral aderem à greve

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar repudia a contratação de médicos sem esta especialidade para desempenhar funções nos centros de saúde, considerando que não estão devidamente qualificados, e solidariza-se com a greve convocada para julho.

Em comunicado, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) opõe-se a esta prática, seguida pelo Ministério da Saúde desde 2009, considerando que é um "retrocesso inqualificável", que, a curto prazo, colocará o Serviço Nacional de Saúde (SNS) em "posição de inferioridade".

A APMGF lembra que tem manifestado o seu desacordo em relação a políticas seguidas pelos governantes da área da saúde, nomeadamente no que respeita à reforma dos cuidados de saúde primários, que tem sofrido atrasos "incompreensíveis", aguardando o início de funções durante meses, mesmo depois da aprovação pelas administrações regionais de saúde e dos pareceres técnicos favoráveis, denuncia a associação

Quanto à política de recursos humanos nos cuidados de saúde primários, a APMGF classifica-a de "desastrosa", assinalando os concursos de carácter excecional para provimento de médicos, os atrasos na admissão de jovens médicos de família ou a "chocante" remuneração de médicos especialistas pela tabela de médicos internos.

Estes profissionais condenam também a política de celebração de contratos precários com empresas de trabalho temporário, considerando que "desvaloriza a prestação de cuidados de saúde de qualidade, organizados para optar por trabalho precário, e de carácter episódico e avulso".

"A APMGF reitera a sua oposição a estas medidas, fundamentadas na colocação de médicos indiferenciados nas unidades de saúde. Médicos que não detenham a especialidade de medicina geral e familiar não estão devidamente qualificados para trabalhar na primeira linha do SNS", frisam estes profissionais.

Os médicos de família apontam ainda as "inúmeras medidas que atacam diretamente o modelo de funcionamento das unidades de saúde, fundamentadas com a limpeza unilateral de listas de cidadãos inscritos no seu médico de família, tendo como simples critério a não utilização dos serviços", sublinhando serem contrárias aos fundamentos da especialidade de medicina geral e familiar.

"O vínculo terapêutico e relacional do médico com os vários membros da família constrói-se sob a premissa da continuidade de cuidados personalizados".

A imposição de 15 minutos para cada consulta, o que totaliza quatro doentes por hora, é outra das medidas contestadas, por traduzirem uma "falta de respeito pelo doente e pelo médico" e um "ataque à qualidade dos cuidados centrados na pessoa".

"São medidas desprovidas de bom senso e revelam um total desconhecimento da realidade da prática clínica. Medidas como estas são desmobilizadoras de boas práticas, desorganizam as unidades de saúde e destroem o sistema de saúde. A APMGF opor-se-á firmemente à sua implementação", acrescenta a associação.

Estes são os motivos que levam a APMGF a apoiar as medidas anunciadas pela Ordem dos Médicos e pelos sindicatos representativos destes profissionais, no documento "Em defesa do Serviço Nacional de Saúde e dos Portugueses", e a solidarizar-se com a Greve Nacional dos Médicos convocado pelos sindicatos para os dias 11 e 12 de Julho.

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