Matos Correia pondera abandonar presidência da comissão de inquérito à CGD

"Entre hoje e amanhã vou ponderar se tenho condições para continuar a ser o presidente desta comissão de inquérito". Deputado do PSD anuncia amanhã se continua no cargo

O presidente da comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos afirmou esta quarta-feira que pondera abandonar o seu cargo neste órgão e anunciou que vai decidir entre hoje e quinta-feira se tem condições para continuar a exercer as suas funções.

"Entre hoje e amanhã vou ponderar se tenho condições para continuar a ser o presidente desta comissão de inquérito. E amanhã anunciarei a minha decisão", afirmou o deputado social-democrata no final da reunião daquele órgão parlamentar.

João Matos Correia justificou esta posição por "ter dúvidas" de que esteja a conseguir assegurar o "respeito dos interesses das minorias", isto é, dos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP, que têm menos representação nesta comissão devido ao resultado das eleições legislativas.

Matos Correia anunciou esta posição depois de a maioria de esquerda ter chumbado vários requerimentos do PSD e do CDS exigindo nomeadamente os SMS trocados entre António Domingues e o ministro das Finanças sobre as condições do primeiro para vir a presidir o banco público.

Tanto PSD como CDS anunciaram que estas votações eram "ilegais". A esquerda chumbou os requerimentos com o argumento de que as exigências do PSD e do CDS não se ajustavam ao âmbito da comissão.

A decisão desta tarde foi no mesmo sentido da tomada na véspera pela conferência de líderes da comissão:Antes do início da reunião desta quarta-feira já PS, PCP e BE rejeitavam publicamente as propostas de PSD e CDS-PP. Em declarações aos jornalistas, também no final da conferência de líderes, os líderes parlamentares do PS, Carlos César, do BE, Pedro Filipe Soares, e do PCP, João Oliveira, acusaram PSD e CDS-PP de quererem utilizar a comissão de inquérito à Caixa para criar um facto político, violando a Constituição e a lei, que não permite o acesso a comunicações pessoais.

O líder parlamentar do PS, Carlos César, acusou PSD e CDS de quererem "desacreditar as instituições e a Caixa Geral de Depósitos". "O nosso entendimento é que esta comissão de inquérito tem as suas finalidades, devem ser respeitadas e por isso não é possível satisfazer esse pedido", disse, acrescentando ainda que o pedido dos dois partidos - o acesso às comunicações - "não tem conformidade com aquilo que prevê a Constituição".

Os ânimos aqueceram durante a reunião de hoje da comissão parlamentar de inquérito à CGD, com os partidos que suportam o Governo (PS, BE e PCP) e a oposição (PSD e CDS) a trocarem acusações duras entre si.

A utilização ou não, por parte da comissão de inquérito, da documentação trocada entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, antes de o último aceitar o convite para liderar o banco público, foi o tema de discórdia.

Durante a primeira hora e meia da reunião, iniciada pelas 18:00, e antes das votações de vários requerimentos, foram muitos os argumentos lançados pelos deputados dos diferentes partidos em torno desta matéria, muitas vezes fora do tempo próprio para cada partido, obrigando à frequente intervenção do presidente da comissão, José Matos Correia, para conduzir os trabalhos em condições.

Com Lusa

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