Marisa: "Geração mais bem preparada de sempre foi formada na escola pública"

Candidata critica "rankings grotescos" e diz ser contra "turmas de bons alunos e turmas de maus alunos". E uma novidade: inicia discurso em língua gestual portuguesa

Escola pública. Foi este o tema que Marisa Matias elegeu para o jantar-comício que encerrou o quarto dia de campanha, no emblemático salão d'A Voz do Operário, em Lisboa. Para criticar aqueles que a têm atacado a candidata à Presidência da República apoiada pelo BE não hesitou nem usou meias palavras. "A geração mais qualificada de sempre de Portugal foi formada pela escola pública", afirmou a eurodeputada esta quarta-feira, sublinhando que tal declaração não é "matéria de opinião".

Recorrendo aos dados do estudo internacional PISA, de 2012, para ilustrar a posição, Marisa aproveitou também para criticar os rankings e a dicotomia entre público e privado na educação. "Um embuste grotesco" foi a expressão que utilizou para criticar essas comparações, fazendo ainda a apologia de que o verdadeiro ensino de excelência tem um nome: "escola universal, de qualidade e inclusiva" - cujo financiamento não pode ser "erodido" - sem a qual, salientou, "não há democracia".

Por outro lado, e perante duas mãos cheias de deputados bloquistas e também o ex-coordenador Francisco Louçã - e ainda no capítulo da educação, a candidata a Belém recusou a "segmentação" e a "segregação" dentro das escolas, ou seja, a divisão das turmas em função de os alunos serem bons ou maus, classificando esse critério como "uma forma igualmente perversa" de discriminação.

Embalada pela ação de campanha do dia anterior, na Federação Portuguesa das Associações de Surdos, Marisa deu mais um sinal de empenho pela igualdade, iniciando a intervenção em língua gestual portuguesa, trocando de papel com a intérprete e recolhendo muitos aplausos dos mais de 400 apoiantes ali presentes.

Após um dia em que se debruçou sobre as desigualdades sociais, vincou que os últimos quatro anos, de governação PSD-CDS, foram de "construção de ruínas" e voltou a salientar que tal seria evitável através do cumprimento da Constituição e dos direitos fundamentais que dela constam. "Não é coisa pouca", atirou, antes de retomar, em jeito de remate, as críticas a Cavaco: "Nestas eleições iremos decidir quem irá suceder ao político que mais maltratou a Constituição."

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