Marisa arrasa "decisão vergonhosa" do Tribunal Constitucional

Candidata a Belém não compreende regresso das subvenções vitalícias para antigos políticos que não precisem delas. E diz que Marcelo que ganhar eleições por "falta de comparência"

Dura, muito dura. Marisa Matias foi esta segunda-feira muito veemente nas críticas à "decisão vergonhosa" do Tribunal Constitucional [TC) sobre as subvenções vitalícias para titulares de cargos políticos, observando que repudia a opção dos juízes do Palácio Ratton e que não se conformará com ela.

"É uma decisão que envergonha o TC, os deputados que a exigiram e que degrada a nossa democracia. Eu repudio esta decisão e não me conformarei com ela", atirou a candidata à Presidência da República num comício que teve lugar no Porto e que contou com a presença da porta-voz do BE, Catarina Martins - que também apontou o dedo à decisão dos juízes.

Para Marisa, foi "pela calada" que um grupo de deputados recorreu ao TC, que, por sua vez, "lhes deu razão através de uma argumentação completamente contraditória" com outras que já produziu.

"Não consigo compreender como é que o TC se conseguiu esquecer de um pequeno e singelo princípio constitucional que se chama igualdade", asseverou a eurodeputada do BE.

Isto porque "há milhões de portugueses que trabalharam uma vida inteira para receber pensões bem mais magras", sendo difícil de explicar a essas pessoas que "possa haver quem tenha uma reforma para toda a vida" depois de trabalhar 12 anos, tendo menos de 40. E sintetizou com novo remoque aos juízes e aos deputados que a eles recorreram: É uma decisão de um "clube de privilegiados".

Marcelo e a "falta de comparência"

Quem também não foi poupado foi o adversário número um da eurodeputada nestas presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa, considerou Marisa, é um candidato "da situação". E, sem se pronunciar diretamente na primeira metade do discurso ao professor, notou que "os da situação mudam com ela", "são muito flexíveis" e "resistentes também". "Ser da situação é a ideologia mais antiga do mundo", "eles até podem criticar a situação desde que seja para mantar a situação", reforçou.

Fazendo a ponte para o sufrágio de domingo, Marisa disse que apresentam-se a votos "candidatos da situação", isto é, "os do sistema financeiro". E explorou a intervenção pública no Banif, depois de terem sido recusadas por Bruxelas oito propostas de reestruturação do banco - antes do seu colapso. "Todos [Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, Governo português, governador do Banco de Portugal e Presidente da República] sabiam, todos sabiam que os outros sabiam" do estado do banco e ninguém, prosseguiu, fez nada.

"E a isso Cavaco Silva ajudou, mas Marcelo ajudou um bocadinho mais: estava blindada a banca, pena que não estivesse a nossa carteira", criticou Marisa, antes de mencionar novamente o nome do candidato recomendado por PSD e CDS para renovar a farpa: "Bem sei que Marcelo depois de andar a jogar sem adversário quer agora ganhar com falta de comparência. Acha que a coisa está no papo e que se falar ainda estraga."

Antes do apelo ao voto para que no domingo não se deixe tudo na mesma, ainda foi a tempo de ironizar, contrapondo a tese de que esteja tudo resolvido: "Como Presidente da República, Marcelo seria como a pescada: antes de ser já o era..."

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