Maria de Belém. Dívida de campanha vai ser "um problema privado"

Orçamento apresentado pela candidata apontava para custos da ordem dos 650 mil euros e receitas estatais de 790 mil

Muitos dias antes de a campanha eleitoral terminar já os responsáveis da candidatura de Maria de Belém (e a própria) esperavam um mau resultado. Os debates com Marcelo e Nóvoa (sobretudo este) correram mal à ex-ministra da Saúde e representaram uma espécie de rampa de lançamento negativa para a reta final da campanha.

O que ninguém esperava era um resultado tão fraco: Maria de Belém ficou em quarto lugar - depois de uma campanha inteira a dizer que disputava a passagem à segunda volta contra Marcelo - e teve menos de metade dos votos de Marisa Matias (196 mil contra 469 mil). Resultado: ficou abaixo dos 5%, a fasquia mínima para ter acesso a subsídio público para lhe pagar a campanha. Agora terá de ser a própria a resolver o problema, com recursos próprios, donativos e eventualmente algum empréstimo. "É um problema privado", disse ao DN um responsável da candidatura.

Segundo o orçamento entregue na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, a candidatura tinha despesas previstas da ordem dos 650 mil euros. A maior tranche, de cerca de 229 mil euros, foi colocada na rubrica "comícios, espetáculos e caravanas". A outra despesa grande foi de 130 mil euros (em "estruturas, cartazes e telas") e a terceira maior em "custos administrativos e operacionais" (99 mil).

O orçamento previsto incluía previsões de receita. E previsões que ultrapassavam as da despesa: 896 mil euros contra 650 mil euros. Nesta previsão de receita, a maior fatia seria precisamente a da subvenção pública que o Parlamento paga aos candidatos e que é estabelecida, em parte, em função do número de votos obtidos e de forma a cobrir as despesas.

Maria de Belém contava com um apoio estatal após as eleições de cerca de 790 mil euros, algo que nas suas contas equivaleria a um resultado de 24% na primeira volta. Agora sabe que não vai receber um cêntimo do Estado. E sabe também que não terá ajuda do seu partido, o PS - que oficialmente não apoiou ninguém. O partido também se vê ele próprio a braços com problemas financeiros e dívidas de campanhas eleitorais anteriores.

Quem não terá este problema é o comunista Edgar Silva. O candidato apoiado pelo PCP também ficou abaixo dos 5% (obteve 182 mil votos, o equivalente a 3,95%).

A candidatura de Edgar Silva foi aquela que se apresentou como a mais cara de todas as concorrentes: as despesas foram orçamentadas em 750 mil euros. E no capítulo das receitas também foi prevista a mesma verba, de forma a apresentar-se um saldo zero.

Aqui, nas receitas, os comunistas previam 377,7 mil euros de subvenção estatal (não indicando o documento entregue na Entidade das Contas quanto é que isso equivaleria em percentagem de votos). A outra grande receita prevista seria uma contribuição do PCP de 342,2 mil euros. Não havendo contribuição estatal, acabará por ser o PCP a arcar com a despesa toda: aos 342,2 mil euros que já estavam previstos somam-se os 377,7 mil euros da subvenção estatal que não chegará.

Paulo de Morais apela a donativos

Sem subvenção estatal, o antigo vice-presidente da Câmara do Porto, que se ficou pelos 2,15%, fez as contas e chegou à conclusão de que a sua campanha apresentou com um défice de 40 mil euros. Para cobrir o prejuízo, Paulo de Morais, na sua página do Facebook, lançou um apelo aos donativos. Explica que os gastos da sua campanha foram de cerca de 60 mil euros e que recebeu em donativos perto de 17 mil.

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