Marcelo recebe honoris causa em clima de festa no Senegal

Presidente da República disse ter ficado "muito emocionado" com a distinção, num país onde 46 mil pessoas aprendem português

É a primeira vez que um chefe de Estado português visita o Senegal desde o 25 de abril, mas, se, à primeira vista, se poderia pensar que as relações entre os dois países são praticamente inexistentes, a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa por Dacar demonstra que há laços fortes entre os dois países. E, à semelhança do que acontece com Cabo Verde, também aqui o principal motor é a língua portuguesa.

Num país onde há apenas 51 portugueses registados no consulado - mas estimando-se que o número total seja de cerca de 200 residentes -, são mais de 46 mil os estudantes de português, fazendo do Senegal o país africano fora do espaço lusófono onde mais se aprende a língua de Camões. Só na Universidade Cheikh Anta Diop, que esta quarta-feira concedeu o doutoramento honoris causa ao presidente português, são perto de 2 mil os alunos ligados aos estudos portugueses.

"É uma aposta numa aproximação que, no fundo, é económica, social e política, mas que começou por onde devia começar, pela língua e pela cultura", disse, visivelmente satisfeito, o presidente da República, pouco depois de cumprimentar várias dezenas de estudantes que se amontoavam para conseguir uma selfie com o presidente. Como é seu hábito, Marcelo Rebelo de Sousa não se fez rogado e deixou-se levar pela emoção do momento, abraçando e beijando dezenas de alunos. "O que se está a passar aqui é muito especial, o presidente é muito humano, nunca vi nada assim", diz-nos Mark Diompy - um dos muitos senegaleses a estudar português -, que não tem dúvidas sobre o impacto da visita do presidente da República: "Vai marcar a história da universidade e também do Senegal".

Enquanto isso, Marcelo, demorando-se no curto percurso até à viatura presidencial, dialogava com os alunos sobre a importância de aprender o português. "É fundamental, não é por acaso que um português é o secretário-geral das Nações Unidas", justificava o chefe de Estado, enquanto, munidos de bandeiras portuguesas e camisolas do Instituto Camões, os estudantes cantavam "adeus, obrigado, obrigado e até à próxima vez".

Antes, no auditório, durante uma lição sobre "África e Portugal", Marcelo Rebelo de Sousa, que falou em francês, já tinha reforçado a ideia, afirmando que, mais do que uma língua, o português é "uma maneira de viver a vida com diálogo e abertura" e sublinhado que foi também por isso que a candidatura de António Guterres foi apoiada pelos estados-membros das Nações Unidas que pertencem ao continente africano. "Porquê? É um símbolo dessa abertura, dessa compreensão".

A aguardar no auditório principal da universidade, onde ouviu o chefe de Estado defender que a distinção recebida era uma "homenagem" a Portugal e "ao povo português", estava Papa Nguirane, de 47 anos, aluno, mas também docente: "Sou professor no ensino médio, mas voltei aqui para aprender", afirma, depois de nos contar que começou a estudar português influenciado por um professor senegalês que era "apaixonado" pela língua. A presença de Marcelo, confessa, é tão ou mais importante que a do presidente da República do Senegal: "É uma grande honra para nós receber o nosso presidente", diz, referindo-se ao chefe de Estado português. E acrescenta: "Eu digo isso porque também me sinto português. Nunca tive a oportunidade de ver o presidente Macky Sall e hoje o presidente Marcelo veio ter connosco".

Ao lado, Adji Diouma, professora assistente, diz que as motivações que levam os senegaleses a estudar português são várias, passando pela proximidade do Senegal com alguns países lusófonos - como Guiné Bissau e Cabo Verde - até às possibilidades de trabalho em empresas portuguesas que cada vez mais investem neste país africano. Sobre a visita de Marcelo, considera, ficará na memória de todos.

Enviado especial TSF/DN

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