Marcelo diz que este foi o "dia certo" para homenagear Alegre

"Se há criadores em que obra e vida se fundem, ele é um deles", afirmou o Presidente da República

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que o 25 de abril foi o "dia certo" para homenagear Manuel Alegre, que hoje recebeu, em Lisboa, o prémio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores.

"Faz hoje 42 anos que renasceu a liberdade em Portugal, o dia certo para homenagear Manuel Alegre, o homem e a carreira. Porque se há criadores em que obra e vida se fundem, ele é um deles", afirmou o Presidente da República, no seu discurso.

À saída da cerimónia, após ter entregado o prémio a Manuel Alegre, no salão nobre da sede da Caixa Geral de Depósitos, que patrocina o galardão, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o que representa para si Manuel Alegre, enquanto escritor.

"Significa a luta pela liberdade, a resistência à ditadura, a capacidade de perceber o que é fundamental no ser português, a capacidade de transmitir a alma portuguesa, a reconstrução da História de Portugal e uma junção única entre o lirismo e o lado épico e militante da poesia", afirmou o Presidente da República, aos jornalistas.

Manuel Alegre revelou que o dia da entrega deste prémio foi escolhido pelo Presidente da República que, em nome do país, agradeceu ao escritor e poeta o "ser português".

Manuel Alegre recebe hoje o Prémio Vida Literária 2015/1016 instituído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE).

A cerimónia de entrega do prémio, dotado de 22.500 euros, foi presidida por Marcelo Rebelo de Sousa e contou com a presença do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, do primeiro-ministro, António Costa, do ministro da Cultura, o diplomata e também poeta Luís Filipe Castro Mendes, além de outras figuras ligadas à política e à cultura.

Em março, quando foi conhecido o nome de Manuel Alegre, em comunicado, a APE afirmou ter sido uma escolha "unânime" da sua direção, que teve em consideração "o longo percurso literário do autor, de um tempo prévio a 'Praça da Canção'".

Publicados em 1965, em plena ditadura, os livros "Praça da canção" e "O canto e as armas" são definidos como "símbolo da luta pela liberdade", pela editora do escritor, as Publicações D. Quixote.

Nas doze edições anteriores do Prémio Vida Literária da APE, foram distinguidos Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny de Vasconcelos, Vítor Aguiar e Silva, Maria Helena da Rocha Pereira, João Rui de Sousa e Maria Velho da Costa.

Manuel Alegre, de 79 anos, que tem recebido prémios literários nacionais e internacionais durante todo o seu percurso, de mais de meio século de escrita, também vai ser distinguido, no próximo dia 22 de maio, com o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG