Mar leva acesso a uma das praias do Portinho da Arrábida

Chuva e vento forte condicionaram circulação em estradas e inundaram casas

Orlando Soares preparava-se para mais um dia de trabalho no restaurante O Farol, mas foi surpreendido quando chegou ao Portinho da Arrábida. O acesso ao estabelecimento tinha desaparecido durante a noite, levado pela forte ondulação numa zona de maré que até é habitualmente calma, destruindo o único caminho que permite chegar à praia do Creiro.

"O mar levou isto tudo com vagas enormes", lamentou, referindo-se ao abatimento do muro de proteção que também é o passadiço de acesso à praia, tendo desenterrado as condutas de água e eletricidade. "O restaurante vai ficar fechado", decidiu, aceitando as instruções da Polícia Marítima, que alertou o empresário para a impossibilidade de aceder ao estabelecimento à beira-mar.

Isto já depois de a Proteção Civil Municipal ter estado no local a colocar sacos de areia para tapar o buraco escavado pelo mar, segundo avançou ao DN o coordenador José Luís Bucho, para quem a prioridade passa agora por garantir segurança às casas que estão na zona, admitindo que só vai ser possível repor a normalidade "quando passar o mau tempo". Uma tarefa que vai ser assumida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Contactada pelo DN, disse que após a forte agitação marítima vai "proceder à avaliação técnica da situação, com vista ao seu enquadramento financeiro e concretização", revelando já ter estado a avaliar a situação, admitindo proceder à colocação de enrocamento na base do muro de proteção.

Para o presidente do Clube da Arrábida, Pedro Vieira, a praia "precisa de areia para se defender da energia das ondas", lamentando que por ali só existam pedras que dão mais força ao mar", alerta. Recordou o relatório do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia, publicado em 2017, que alertava para a necessidade de ser feita uma intervenção de fundo na Arrábida que permitisse colocar mais areia para amortecer a força das ondas.
O mau tempo - que se vai prolongar pelo menos até dia 10 - tem provocado estragos por todo o país. Três casas do Bairro do Segundo Torrão, na Trafaria (Almada), ficaram ontem inundadas, enquanto um carro foi arrastado pela ondulação. Em Beja o vento danificou uma tenda do Campeonato Nacional das Profissões, provocando um ferido e levando à evacuação do espaço, motivando a suspensão do evento.

Já a Câmara de Oeiras encerrou a estrada Marginal entre Paço d"Arcos e o Alto da Boa Viagem, no sentido Cascais-Lisboa, devido à agitação marítima e a previsão de rajadas de vento com 100 km/h.

Na Madeira, o presidente do governo, Miguel Albuquerque, adiantou que o mau tempo provocou prejuízos superiores "às centenas de milhares de euros". Com Lusa

Exclusivos