Manuel da Luz reconhece "erros graves" no município

Na Assembleia Municipal de Portimão,o presidente da câmara, o socialista Manuel da Luz, reconheceu terem sido cometidos "erros graves", que levaram à detenção dos vereadores Luís Carito e Jorge Campos.

Pouco mais de 24 horas depois de ter assumido, na terça-feira, que desconhecia qualquer "indício grave" em relação aos vereadores socialistas Luís Carito e Jorge Campos, detidos pela Polícia Judiciária a 21 de junho, por suspeita de corrupção ativa e passiva, administração danosa, branqueamento de capitais e associação criminosa, o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel da Luz (também do PS), acabou por reconhecer, de forma lacónica, numa sessão ordinária da Assembleia Municipal, terem sido cometidos "erros graves".

Antes, durante várias intervenções, membros do PSD, do CDS, da CDU e do Bloco Esquerda não pouparam críticas ao principal responsável do executivo, considerando, num sentimento geral, que a oposição já tinha alertado para a "gestão ruinosa" da autarquia. Que vai agora ser fiscalizada por uma comissão que vai promover uma auditoria externa.

Por seu turno, Manuel da Luz, após garantir que "pessoalmente, estou tranquilo", foi perentório ao dizer que "a justiça também tem de esclarecer" o processo na sequência do qual o vice-presidente da câmara, Luís Carito, ficou a aguardar julgamento em prisão preventiva, por ordem do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, Carlos Alexandre, enquanto o vereador Jorge Campos se encontra em liberdade com o Termo de Identidade e Residência e mediante o pagamento de uma caução de 20 mil euros, tal como Lélio da Branca, administrador da empresa municipal Portimão Urbis, em investigação desde 2011 por suspeitas de corrupção após denúncias anónimas, e os empresários Artur Curado e Luís Marreiros, com ligações à atividade cinematográfica.

"As pessoas em causa, sempre mereceram a minha confiança pessoal e política. Só nesse quadro foram convidadas a integrar o meu executivo e as administrações das empresas municipais. Se tivesse tido conhecimento de algum indício grave, teria procedido em conformidade", afirmou Manuel da Luz na declaração aos jornalistas na terça-feira. "Não houve cêntimo que tivesse sido transferido da Câmara Municipal de Portimão para a Urbis sem que houvesse um suporte legal e documental", frisou o presidente, recordando que todos os contratos entre a autarquia e aquela empresa municipal "foram auditados pelos Revisores Oficiais" das duas entidades.

Por outro lado, ao nível do PS não houve ainda qualquer manifestação de solidariedade para com o até agora vice-presidente Luís Carito, que preside à comissão política concelhia de Portimão do partido, e o vereador Jorge Campos. "Solidariedade só se for de alguém a nível pessoal", observou ao DN um elemento que integra a Assembleia Municipal de Portimão. Já o presidente deste órgão, Francisco Florêncio, disse aos jornalistas que "não compete ao presidente" apresentar uma moção de confiança para com os autarcas visados pela justiça. "Não faço juízos de valor neste momento", acrescentou.

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