Mais paquistaneses e indianos casam-se com portuguesas

Há cada vez menos casamentos no País, mas os matrimónios com indianos quadruplicaram e com paquistaneses duplicaram. Na esmagadora maiorias das vezes, a noiva foi portuguesa

Há cada vez menos casamentos em Portugal, mas a quebra é sobretudo nas relações entre portugueses. Em 2008, foram oficalizadas menos 3043 uniões do que em 2007. No entanto, os indianos casaram-se quatro vezes mais e os paquistaneses, duas vezes. E muitos com portuguesas.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentam uma continuidade no que diz respeito às uniões oficializadas em Portugal, ou seja, cada vez se casa menos no País. O que é diferente é o elevado número de imigrantes oriundos da Ásia que se casam com portuguesas. O ano passado, realizaram-se 385 matrimónios de paquistaneses e 143 de indianos, o que representa 9,2% dos casamentos mistos.

"A maioria dos indianos e paquistaneses que vivem em Portugal são homens e é natural que conheçam mulheres portuguesas e se queiram casar com elas", diz o xeque Munir, o líder da comunidade muçulmana em Lisboa. Acrescenta não estranhar o elevado número de casamentos da comunidade com portuguesas.

A questão é que os imigrantes oriundos do Paquistão estão em segundo lugar no que diz respeito ao número de matrimónios, quando são os últimos no número de residentes legais, 2736 (22% são mulheres). Os indianos são mais, 5519 (30% do sexo feminino), mas continuam a estar pouco representados nas estatísticas oficiais da imigração. Nenhum paquistanês escolheu uma conterrânea para se casar e, entre os indianos, apenas há um casamento destes.

Confrontado com a hipótese de alguns daqueles casamentos serem fictícios, ou casamentos brancos, segundo a lei, o xeque Munir prefere não comentar. E os imigrantes com origem naqueles países dizem desconhecer compatriotas que se casam com portuguesas.

Refira-se que é entre a comunidade brasileira que se registam mais casamentos, mas esta é também a maior comunidade imigrante no País, cerca de 107 mil. E, nesta nacionalidade, são sobretudo as brasileiras que se casam com os homens portugueses, 2613 em 2008. Há também um elevado número de russas (53 em 77 casamentos) e de ucranianas (cem em 160) a preferirem um marido com o BI português.

Cabo Verde é o terceiro país a nível de casamentos, 218 em 2008, sendo que 154 são com mulheres portuguesas. Uma proporção de uniões mistas igual à de outras comunidades africanas, uma imigração mais antiga e onde existem muitos originários que nasceram em Portugal.

Aliás, o ano passado aumentaram os casamentos em que ambos os cônjuges são estrangeiros. As uniões mistas foram 5678, menos 75 do que em 2007.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não comenta a multiplicação de casamentos com a imigração do Paquistâo e da Índia. Esta polícia abriu 18 processos-crime por suspeita de casamentos brancos. O incentivo das uniões fictícias com o objectivo de legalizar estrangeiros é crime desde 2007.

Em Janeiro deste ano, foi desmantelada uma rede em Portugal que se dedicava à organização de casamentos brancos. A PJ deteve 12 indivíduos, que tinham ligações a Espanha e a conivência de conservatórias portuguesas para realizar casamentos falsos. Outra forma de actuação era angariar cidadãs oriundas do espaço Scheghen e levá-las para outro país, nomeadamente para a Inglaterra, onde se casariam com paquistaneses, indianos e nigerianos.

E, no dia 21 de Julho, o SEF deteve uma portuguesa em Faro, suspeita da prática de crimes de auxílio à imigração ilegal, casamento por conveniência, burla agravada e tráfico de estupefacientes. A detenção foi efectuada no decurso de uma operação desencadeada no âmbito de um inquérito do Ministério Público.

O Governo decidiu que os casamentos por conveniência vão passar a ser crimes de investigação prioritária. A medida consta da proposta de lei que define as orientações para a investigação criminal, no biénio 2009/2011.

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