Mais de metade das vagas na Marinha ficaram por preencher em 2016

Maioria dos lugares onde não houve voluntários foi na categoria de praças. Diretiva propõe estágios profissionais como uma solução.

Apenas 45% das mais de 800 vagas existentes em 2016 para entrada na Marinha foram preenchidas por voluntários, mas o objetivo é alcançar os 90% neste ano e os 100% em 2020.

Este é um referencial que consta da Diretiva de Planeamento da Marinha para 2017, que foi aprovada há uma semana pelo seu chefe do Estado-Maior, almirante Silva Ribeiro, na qual são definidos nove "objetivos estratégicos" e as diferentes medidas para os concretizar - para as quais foram também estabelecidos indicadores numéricos a atingir anualmente até 2020.

Os 55% de vagas por preencher centram-se maioritariamente na categoria de praças - em especialidades como eletromecânica, fuzileiros, mergulhadores, administrativos, técnicos de armamento ou cozinheiros - e, para resolver um problema agravado pela não existência de incorporações em 2011, 2012 e 2014, o documento propõe várias soluções: "Estágios profissionais remunerados e técnico-profissionais", processos de recrutamento (reavaliando procedimentos e condições de admissão, ações de divulgação) ou, por exemplo, "dinamizar mecanismos internos de fomento da reinserção" dos militares no mercado de trabalho.

Na nota introdutória da sua diretiva de planeamento, a que o DN teve acesso, o almirante Silva Ribeiro - que assinou ontem a ordem de abate do navio balizador Schultz Xavier, há 45 anos ao serviço - afirma que "a transformação" do ramo "requer [...] pensamento de longo prazo". Mais, "também implica que nos afastemos da focalização excessiva nas análises do presente, da ditadura dos números e da redução da Marinha às suas capacidades materiais, esquecendo o potencial intrínseco aos seus efetivos. De igual modo, exige melhorias em algumas atitudes ligadas à resistência à mudança e ao esmorecimento" do pessoal.

Silva Ribeiro assumiu funções em dezembro passado e, segundo já informou o governo, vai ser o futuro chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (a partir de julho de 2018, sucedendo ao general Pina Monteiro, do Exército).

A diretiva, assumida como "diferente das pretéritas na forma como aplica o poder e estabelece o propósito, bem como nos princípios que adota", identifica um conjunto de nove "objetivos estratégicos" para se atingir uma Marinha "equilibrada, otimizada, flexível e eficaz".

"Otimizar a presença e o controlo nos espaços marítimos sob soberania e jurisdição nacional, fortalecer o apoio à Autoridade Marítima Nacional e a cooperação com parceiros nacionais e internacionais, potenciar a edificação e a sustentação da componente naval do Sistema de Forças, aumentar a prontidão das unidades operacionais e o seu empenhamento no apoio à política externa, melhorar a capacidade de recrutamento e de retenção de recursos humanos [e] incrementar a captação de fontes de financiamento supletivas" são seis desses objetivos.

Para atingir cada um deles há várias linhas de ação e indicadores de partida (em 2016) para medir os resultados numa base anual. Se nalguns casos eles não existem - como o número de capacidades definidas pela NATO ou o das atividades de apoio a entidades externas e nacionais como a Autoridade Marítima ou outras -, noutros há. É o caso dos 58% de pessoal satisfeito, que Silva Ribeiro pretende aumentar neste ano em dois pontos percentuais.

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