Mais de 2.000 trabalhadores da PT/MEO em marcha de protesto

Estão em greve de contra a transferência de funcionários para empresas parceiras (Visabeira) e outras empresas do grupo

Mais de 2.000 trabalhadores da PT/MEO de todo o país, segundo as organizações sindicais, iniciaram hoje, pelas 14:10, uma marcha de protesto da sede da empresa, em Picoas, Lisboa, até à residência oficial do primeiro-ministro.

Munida de centenas de apitos, bandeiras e dezenas de tarjas, a multidão começou a descer a avenida Fontes Pereira de Melo, escoltada pela polícia, em direção à praça Marquês de Pombal, seguindo depois pela rua de São Bento, passando pela Assembleia da República até à Calçada da Estrela.

Os trabalhadores estão hoje em greve de 24 horas contra a transferência de funcionários para empresas parceiras (Visabeira) e outras empresas do grupo.

Em causa está a mudança de mais de 150 trabalhadores para empresas do grupo da multinacional de comunicações e conteúdos de origem francesa Altice, que detém a PT Portugal, como a Tnord, a Sudtel ou a Winprovit e ainda para a parceira Visabeira, recorrendo à figura de transmissão de estabelecimento, prevendo-se a conclusão do processo até final do mês.

O chefe do executivo, o socialista António Costa, fez declarações de apreensão para com o futuro da PT e a qualidade dos seus serviços, incluindo no debate parlamentar sobre o estado da nação. As palavras do primeiro-ministro mereceram críticas por parte da oposição (PSD/CDS-PP), por intromissão em negócios privados, enquanto BE e PCP exigiram a defesa dos direitos dos trabalhadores.

O secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, anunciou quarta-feira, no parlamento, que "está já em curso uma ação inspetiva" desencadeada pela Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) sobre o processo de transferência de trabalhadores da PT Portugal para outras empresas.

O português e cofundador da Altice Armando Pereira declarou entretanto que o Governo português, "muitas vezes, não vê essa importância" do investimento que está a ser feito na economia de Portugal.

O grupo gaulês, que comprou há dois anos a PT Portugal por cerca de sete mil milhões de euros, anunciou em 14 de julho que chegou a acordo com a Prisa para a compra, por 440 milhões de euros, da Media Capital SGPS, SA, que detém a TVI, mas o negócio aguarda ainda pareceres da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da Autoridade da Concorrência (AdC).

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