Mais 350 médicos e exames ao coração

Ministério quer reduzir utentes sem médico e avança com novo projeto-piloto no início do próximo ano

Ministério da Saúde espera que no próximo ano o número de utentes sem médico de família seja o menor de sempre - abaixo de meio milhão - com a entrada de pelo menos 350 novos médicos de família. E os centros de saúde irão passar a oferecer mais cuidados: no primeiro trimestre de 2017 deverá arrancar uma experiência-piloto com a realização de exames de cardiologia.

Nas contas do ministério será "o melhor ano de sempre" no que diz respeito a utentes sem médicos de família. "No próximo ano é expectável um número de 350 a 380 novas entradas de médicos de família recém-especialistas e um valor inferior a 140 de saída de médicos aposentados. Pelo que no final de 2017 poderemos ter um valor de utentes sem médico de família inferior a 500 mil", refere ao DN fonte do Ministério da Saúde, lembrando que este ano foram contratados "o maior número destes especialistas, desde sempre, pelo SNS: mais de 300".

Para complementar as falhas que ainda existem, o SNS tem recorrido à contratação de clínicos reformados. Nos últimos cinco anos foram 207, contando já com a previsão de até ao final do ano terem sido contratados 85. Um acréscimo em relação a anos anteriores e que poderá ter explicação na alteração provida este ano na forma de pagamento (passaram a acumular a reforma com 75% da remuneração correspondente à categoria que tinham). O ministério prepara também um reforço de enfermeiros, com a alteração da legislação de forma a permitir contratações mais rápidas e um trabalho juntamente com a Ordem para a criação da especialidade de enfermeiro de família.

O reforço dos centros de saúde passa também por avançar com novas experiências. "Está previsto para o primeiro trimestre de 2017 uma experiência-piloto na área da cardiologia, com a realização de ECG (eletrocardiograma) convencional, ECG de monitorização ambulatória contínua e MAPA (exame que permite realizar medições automáticas e sucessivas da pressão arterial) nos centros de saúde, numa integração inovadora entre cuidados de saúde primários e centros hospitalares", adianta o Ministério da Saúde.

Haverá também alargamento de projetos que começaram este ano a outras regiões do país. Caso das consultas de dentista que começou com a colocação de 13 médicos nas regiões do Alentejo e Lisboa e do rastreio visual às crianças com 2 anos que arrancou no Norte. Já na área dos exames, iniciou-se no Alentejo e no Algarve um projeto para disponibilização de espirometrias nos centros, "muito relevante na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

"Importa dotar os cuidados de saúde primários com profissionais de saúde de áreas diferentes, que articulados e em equipa providenciem cuidados de saúde diferenciados e com elevada qualidade. Nesse sentido existem duas medidas diferentes para este fim: até final de 2016 trabalhar no sentido de todos os agrupamentos de centros de saúde (ACES) disporem de pelo menos um nutricionista e um psicólogo; durante 2017 abrir vagas para estágio de um nutricionista e um psicólogo por ACES. Ou seja, permitir a entrada de 110 novos profissionais, numa visão clara do aumento progressivo do seu número durante a legislatura", refere.

Em jeito de balanço de fim de ano, o ministério refere que este ano 25 novas unidades de saúde familiar modelo B entraram em funcionamento e que esperam atingir as 30 de modelo A que estavam previstas.

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