"Maior dificuldade foi perceber como funcionavam os piratas"

Cessou funções como chefe da frota da NATO. Que balanço é que faz? Durante o meu ano de comando houve grande compreensão quanto aos objectivos e formas de interpretar as necessidades de mudança e ajustamento na transição entre as operações de contrapirataria "Protector Aliado" e "Escudo Oceânico", no Verão passado.

Que é que mudou entre elas?

A "Protector Aliado" tinha como finalidade proteger a navegação mercante dos ataques piratas, enquanto a "Escudo Oceânico" tinha (e tem) quatro linhas de acção: combater a pirataria, maior organização entre os actores presentes, estreitar relações entre as partes envolvidas no tráfego marítimo (companhias, seguradoras) e, por último e mais importante, edificar pontos de contacto e acesso com actores regionais, para permitir à NATO estabelecer ligações e apoiar os responsáveis locais. No fundo, saber o que é que a NATO pode promover no sentido de auxiliar as autoridades a acabar com a pirataria.

Houve muitas dificuldades?

A maior dificuldade foi a de perceber como funcionava o ambiente operacional, em especial aqui no corno de África. Levou algum tempo a perceber o modus operandi dos piratas, como actuava a comunidade piscatória, como apareciam a imigração ilegal e os grupos de piratas.

Isso produziu outros resultados?

No golfo de Adém ao fim destes seis meses só se registaram dois incidentes de pirataria bem sucedidos, uma redução muito elevada face aos meses anteriores. Por duas razões: a comunidade piscatória percebeu que tinha de se autoproteger e todos os actores começaram a coordenar-se. Em contrapartida, na bacia da Somália houve um aumento considerável de ataques porque esses grupos apareceram em maior número e numa área muito superior.

É possível combater os piratas com eficácia, numa área tão extensa?

Tem de haver coordenação e contribuição substancial dos países que querem ajudar. O combate à pirataria na bacia da Somália é diferente em relação ao golfo de Adém: enquanto aqui é proteger a navegação, ali a prioridade é localizar, localizar... O fundamental é ter patrulha aérea marítima que cubra o máximo de espaço, para ver onde os piratas estão, pois os navios não podem patrulhar um espaço desta dimensão.

Foi complicado gerir a actuação das várias forças navais destacadas na região?

A partir do momento em que os quartéis--generais das principais forças navais na área - UE, NATO, as forças dos EUA - começaram a estabelecer princípios de coordenação, isso traduziu-se no "princípio da concentração do esforço". E os resultados foram imediatamente visíveis.

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