"Parece que o Estado quer voltar ao tempo de Salazar"

O presidente do Governo Regional da Madeira afirmou hoje que "afinal pouca coisa mudou neste país", considerando que "parece que o Estado português ainda quer voltar ao tempo do dr. Salazar".

"Afinal parece que pouca coisa mudou neste país e às vezes penso que o Estado português ainda quer voltar ao tempo do dr. Salazar, porque o dr. Salazar não fazia obra para não se gastar dinheiro e sabem a miséria que isto estava antes do 25 de abril", disse o governante madeirense na Festa do Pero da freguesia da Ponta do Pargo, concelho da Calheta.

O líder do governo regional acrescentou que "depois houve outros que não fizeram obra na mesma, mas pior que Salazar, gastaram o dinheiro todo e no fundo o culpado disto tudo é o Alberto João que arranjou todo o dinheiro que podia e fez obra porque tinham cortado dinheiro".

"Afinal não há só mistérios na religião, há mistérios também no Estado português", argumentou Jardim.

O líder madeirense mencionou que algumas pessoas "não entendem a autonomia e andam a dizer que Portugal é uno como se a Madeira fosse um distrito de Lisboa".

"Portugal é uno no continente, mas é um estado que tem regiões autónomas, é isto o que está na Constituição da República Portuguesa e é bom que se perceba isto. Tanto é assim que ao longo destes anos não me lembro de Portugal fazer um investimento na Madeira e pagá-lo", frisou.

Alberto João Jardim enunciou que a Madeira "ainda está a pagar" as obras do aeroporto, que a infraestrutura aeroportuária do Porto Santo foi paga pela NATO e que as despesas com os portos, escolas, estradas e saúde são suportadas pelo Orçamento Regional, incluindo áreas que são da responsabilidade do Estado.

O social-democrata referiu ainda o caso do novo edifício prisional, uma das competências do Estado na região, mencionando que "foi descontado nas transferências de verbas para a Madeira".

"Os poucos investimentos feitos nas áreas em que o Estado ainda tem tutela na Madeira foram descontados nos dinheiros que são para compensar as empresas que trabalham na Madeira - bancos, companhias de seguros, etc. - que têm lucros na Madeira, mas a contabilidade está integrada e pagam em Lisboa os impostos que deviam pagar aqui", realçou Jardim.

"Não percebo que Estado é este. Nós estamos a pagar as nossas coisas e o Estado ainda se permite dar ordens. É tudo muito esquisito", opinou ainda o chefe do governo regional.

Jardim destacou que "o povo mede-se pela sua capacidade de resistir aos seus adversários", apontando que quando este "se deixa dominar está perdido", mas se "sabe resistir, sabe fazer frente àqueles que o quer dominar e a todas as campanhas e pulhices que lhe queiram fazer, tem força, vai para a frente".

"Somos uma república onde ainda ficou o espírito da PIDE, além dos jornalistas, há quem use bufos para ouvir o que o Alberto João está a dizer para ver se tira uma frase que possa fazer queixinhas e levar para tribunal", concluiu.

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