Jardim leva "quem entender" no carro oficial

O PS não vai apresentar queixa contra a líder do PSD, mas utilizará na campanha eleitoral o facto de Manuela Ferreira Leite ter feito pré-campanha "num carro do Estado".

Os reflexos do discurso de Manuela Ferreira Leite na sua passagem pela Madeira e utilização de uma viatura da presidência do Governo Regional num dos percursos da pré-campanha está para durar. Alberto João Jardim acusa o PS de "mentir", "inventar" e de "controlar um polvo de propaganda", bem como um "clima de ilegalidade" democrática, acusando os socialistas de usar "serviços do Estado para intimidar o PSD", colocando, ainda, em causa o representante da República e o poder judicial.

"Desesperados, os socialistas intensificam agora um clima de ainda maior agressividade entre portugueses" , um ambiente que "pode atingir confrontos de enorme gravidade" e "inadmissíveis" sobretudo em período eleitoral, pelo que "se apela à serenidade para que tais excessos sejam impedidos", referiu Jardim. Quais excessos? Pelos lados do PS, " a confirmar-se o que veio na imprensa, o uso de uma viatura oficial, é muito grave", disse ao DN, Ricardo Pires sem adiantar se o partido vai ou não apresentar queixa.

Já José Lello defende que o PS não deve entrar pela via judicial porque "tudo isto revela bem o que se passa na Madeira do dr. Jardim onde se confunde Governo com partido. E a dra. Manuela, que anda aqui a verberar "verdades", parece que gostou de andar no carro com bandeirinha", disse ao DN. Igual posição tem o líder da distrital do Porto do PS, Renato Sampaio.

"Esta trapalhada não merece nenhum tipo de actuação institucional por parte do PS mas deve levar os cidadãos a pensar como seria uma governação da dra. Manuela Ferreira Leite. A sua verdade está a vir ao de cima nesta campanha porque à mulher de César não basta ser séria. É preciso parecer. E a líder do PSD não é nem parece", referiu.

Só que Alberto João Jardim já resolveu o problema do carro oficial através de um insulto aos crí- ticos: "fuck them" seguindo-se um esclarecimento à sua maneira.

"Tenho o direito de convidar e levar no meu carro (leia-se viatura do Estado) quem eu muito bem entender", tal como "qualquer titular de cargo público tem esse direito. Se o País acha que este é um crime de lesa-pátria, então o País está doido", disse no final da reunião da comissão política, na noite de segunda-feira. Jardim reiterou a versão de que só no final da visita partidária levou a líder do PSD ao aeroporto no carro da presidência, esquecendo-se da ligação entre o mercado municipal e o restaurante onde decorreu o almoço com os candidatos do PSD/M à AR.

Mas para Jardim tudo isto faz parte das cenas "ridículas" portuguesas, espelho de um certo "espírito de mediocridade".

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