CNE considera fraude eleitoral "absolutamente irrelevante"

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Godinho de Matos, disse hoje à agência Lusa que a denúncia feita por um deputado da Madeira de fraude eleitoral nas presidenciais de 1980 é "absolutamente irrelevante".

"Uma pessoa vir, 32 anos depois, falar de eventuais ilícitos terem ocorrido, do ponto de vista penal, é irrelevante e não pode gerar a mínima consequência, por isso, não há nada que a CNE possa fazer", afirmou Godinho de Matos.

O porta-voz da CNE reagia assim às acusações do deputado do PND-M António Fontes, divulgadas hoje pelo Diário de Notícias, que fala em mais de 300 votos adulterados por mesa que impediram a vitória de Ramalho Eanes na Madeira nas eleições presidenciais de 1980.

Na entrevista, o actual deputado e ex-militante da JSD-M levantou suspeitas sobre as presidenciais de há 32 anos, considerando que a "chapelada foi grande. Não foram 10 ou 15 votos por mesa, mas 300 a 400, preenchidos em nomes de votantes que não foram votar" e que, na altura, deram a vitória a Soares Carneiro.

Perante as afirmações, o porta-voz da CNE frisou que "até os crimes mais graves, como homicídios, prescrevem 25 anos depois da data dos factos".

"Ouvir-se revelar um determinado acontecimento ilícito 30 anos depois de ter ocorrido, não passa de um ato exibicionista", acrescentou Godinho Lopes, sublinhando que se trata de "um discurso vazio de alguém que o faz deliberadamente, sabendo que do ponto de vista legal não tem conteúdo".

A Lusa contactou ainda o gabinete de Ramalho Eanes que remeteu para mais tarde eventuais esclarecimentos.

António Fontes quer observadores internacionais na Madeira para fiscalizar as mesas de voto nas eleições legislativas regionais que se realizam a 09 de Outubro.

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