Banco Alimentar Contra a Fome vai ser criado este ano

A presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome revelou hoje a criação este ano de um banco alimentar na Madeira, tendo anunciado que já existe um espaço e um grupo de voluntários.

No final de uma reunião com representantes de várias instituições da região, no Funchal, Isabel Jonet declarou que "as organizações foram, maioritariamente, da opinião de que faz muita falta haver esta estrutura que apoia as instituições locais com alimentos e que vai permitir que libertem recursos e tempo para assistir as pessoas mais carenciadas".

"Há uma consciência coletiva de que a situação é difícil, mas há, também, uma grande consciência de que vai ser ainda pior e, portanto, todas estas estruturas que vierem facilitar o trabalho das instituições são bem-vindas", declarou a dirigente.

Jonet admitiu que o Banco Alimentar Contra a Fome da Madeira deverá abrir portas no segundo semestre, existindo já um pavilhão na freguesia de Santo António para o armazenamento dos alimentos e pessoas para o dinamizar.

Aos jornalistas, a responsável da Segurança Social da Madeira, Bernardete Vieira, sustentou que "sempre foi e continua a ser a filosofia" da instituição que "tudo o que vier por bem é bom", prometendo apoio ao futuro banco alimentar contra a fome.

"A Segurança Social dará todo o apoio e é com satisfação que temos mais uma instituição que responde às necessidades que estão no terreno e aquelas que se irão, presumivelmente, acentuar com esta situação de crise", referiu Bernardete Vieira, defendendo a necessidade de "sintonia" e "coordenação" por parte das várias entidades de forma a que "as ajudas cheguem a quem precisa".

Já o presidente da Cáritas Diocesana do Funchal, entidade que tem realizado recolha de alimentos nos supermercados do arquipélago, salientou a necessidade de se respeitar "uma série de estruturas e parcerias que já estão montadas".

"Que tudo isto seja muito bem refletido para que não cause afetação nem dispersão dos apoios que neste momento são concedidos", referiu José Manuel Barbeito.

Antes deste encontro, Isabel Jonet foi ouvida, à porta fechada, na 5.ª Comissão Especializada Permanente de Saúde, Assuntos Sociais e Proteção Civil na Assembleia Legislativa da Madeira.

O presidente da comissão parlamentar, o deputado do CDS-PP Mário Pereira, explicou que a extensão dos bancos alimentares à região "é particularmente importante" na atual conjuntura.

"Existem, neste momento, situações de crise económica, de desemprego, de dificuldades sociais na qual é relativamente fácil para a população entrar numa situação de pobreza, em especial franjas da classe média que merecem atenção e o acompanhamento cuidado de todos aqueles que querem colaborar", declarou Mário Pereira.

Segundo o parlamentar, no encontro com Isabel Jonet foi salientado que "todo este apoio social tem que ser feito em rede".

"Não há competição na solidariedade social, há sim complementaridade e aqui a complementaridade é muito importante para evitar sobreposições e desperdício de recursos que neste momento são escassos", observou.

Segundo Isabel Jonet, existem atualmente 19 bancos alimentares em Portugal que, em conjunto, apoiam 320 mil pessoas -- "os mais carenciados dos mais carenciados" - através de 2.047 instituições.

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