Automobilista confessa condução em contramão

O automobilista que provocou um acidente de viação mortal por conduzir em contramão, em Santa Cruz, Madeira, confessou hoje ao tribunal os factos imputados pelo Ministério Público e pediu desculpa à família da vítima.

"Queria pedir desculpa pelo que aconteceu, sei que errei. Tinha tomado uns copos", afirmou ao coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Santa Cruz o arguido, de 47 anos, que está acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de homicídio por negligência grosseira e outro de condução perigosa, e uma contraordenação.

Segundo o despacho de acusação, o acidente ocorreu na madrugada de 11 de junho de 2010, num túnel em Santa Cruz, depois de o arguido ter entrado na saída da Via Rápida no Caniçal, onde existia um sinal de sentido proibido.

"O arguido circulou na referida via durante, pelo menos, cerca de 10 quilómetros, obrigando os condutores dos veículos que aí transitavam e que com ele se cruzavam a encostarem à berma", refere o Ministério Público (MP).

O MP adianta que o automobilista, que circulava a uma velocidade não inferior a 100 km/hora, embateu depois no motociclo conduzido pela vítima "causando uma explosão violenta" e a sua "consequente projeção" para cima do separador central.

O carro e o motociclo incendiaram-se e ficaram completamente inutilizados, lê-se no despacho que sustenta: "Em consequência da explosão, o corpo da vítima ficou a arder em cima do separador central até à chegada dos meios de socorro que lograram apagar o incêndio".

Ao tribunal, o condutor, que disse ser operador qualificado e não motorista como informa o despacho do MP, garantiu não ter tido a noção de que entrou na Via Rápida em sentido contrário.

"Se me tivesse apercebido, não tinha feito que fiz", acrescentou o acusado, declarando-se arrependido.

Na sessão foram ouvidas cinco testemunhas, uma das quais o motociclista que foi ultrapassado pela vítima mortal quando ocorreu o acidente.

"Foi um embate frontal. Quase que também era apanhado na situação", disse a testemunha, salientando que o arguido apresentava sinais de embriaguez e fugiu do local.

Um outro motociclista, que pertencia ao mesmo grupo da vítima, assumiu que ia em excesso de velocidade na Via Rápida.

Já um agente da PSP explicou que nos nove minutos do percurso realizado pelo suspeito este cruzou-se com 24 viaturas até embater.

Nas alegações finais, a magistrada do MP, Maria Gameiro, adiantou que o arguido e testemunhas confirmaram a acusação, com exceção da velocidade a que seguia o arguido, pedindo justiça.

Já a advogada da família da vítima mortal, Dulce Duque, realçou que se está perante "falta de civismo e cuidado", pedindo uma "pena que não pode ser suspensa" para "impedir que isto volte a acontecer".

O advogado Ricardo Vieira, que defende o arguido, considerou que não ficou provada a velocidade a que circulava o condutor e que o Tribunal deve ponderar a velocidade "alta" em que circulavam as motas e a ultrapassagem da vítima mortal no interior do túnel.

A leitura do acórdão está agendada para dia 17 de maio, às 09:30.

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