Luta contra assédio sexual e moral na Securitas Direct

O sindicato dos trabalhadores de vigilância fez hoje uma concentração à porta da Securitas Direct em protesto contra o assédio moral e sexual aos funcionários da empresa de segurança, os quais não se manifestaram.

Cerca de duas dezenas de representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (STAD), e o líder da CGTP, Carvalho da Silva, alertaram para as ilegalidades que dizem estar a ser cometidas aos funcionários da empresa, sedeada em Algés. Numa carta da Autoridade para as Condições de Trabalho enviada a um dos trabalhadores da Securitas Direct, a que a Lusa teve acesso, a inspectora do Trabalho conclui que "as várias situações" verificadas no departamento de cobranças daquela empresa "configuram assédio" nos termos da lei.

"Não, não e não ao assédio sexual e moral e ao ataque à liberdade sindical na Securitas Direct" foi o mote usado em vários cartazes afixados na praceta em frente à sede daquela empresa e em dezenas de folhetos que ao longo da manhã foram distribuídos a quem passava na zona. De microfone na mão, vários representantes do STAD denunciaram a existência de práticas de assédio moral e sexual na empresa e a cumplicidade da administração, que dizem não ter actuado de forma firme para eliminar a ilegalidade.

"A Autoridade para as Condições do Trabalho, depois de denúncia de um grupo de trabalhadores, fez uma inspecção à empresa e concluiu haver assédio, mas até agora não aconteceu nada, a não ser retaliações para esses mesmos trabalhadores, razão porque decidimos sair à rua em protesto e denúncia à população", contou à Lusa Carlos Trindade, coordenador nacional do STAD.

Em Outubro, um grupo de nove trabalhadores do departamento de cobranças, dos quais apenas quatro estão ainda na empresa, assinaram um documento em que denunciavam o assédio por parte de um chefe, que foi enviado para a inspecção do Trabalho, Ministério do Trabalho, sindicatos e responsáveis da Securitas Direct. "Esse chefe fazia abordagens sexuais, gestos, usava linguagem desapropriada e convidava senhoras, suas subordinadas, para relações íntimas e quando não tinha resposta positiva passava então ao assédio moral, pressionando os trabalhadores", contou o sindicalista.

O STAD abordou a administração, mas segundo Carlos Trindade, a Securitas Direct "não resolveu nada e, muito pelo contrário, manteve o trabalhador nos quadros da empresa e começou a pressionar os trabalhadores, que subscreveram as denúncias, para saírem da empresa, chegando ao limite máximo de suspender a delegada sindical (também denunciante) e aplicar-lhe uma sanção de 34 dias de suspensão sem salário. "Nunca mais aprendem a viver em democracia. Esta gente se pudesse voltava à lei da unilateralidade absoluta", afirmou o coordenador da CGTP, Carvalho da Silva, falando à população que passava nas ruas e aos poucos trabalhadores da empresa que timidamente espreitavam de vez em quando das janelas.

"Um trabalhador, porque depende do seu rendimento, não pode sujeitar-se a esta humilhação de gente da administração sem escrúpulos", acrescentou Carvalho da Silva, fazendo um apelo aos trabalhadores pelo microfone: "Não se amedrontem", disse, acrescentando "Tenham vergonha os que intimidam". A Lusa tentou ouvir a administração da Securitas Direct, mas os responsáveis escusaram qualquer esclarecimento.

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