Lurdes Rodrigues nega derrapagens na Parque Escolar

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues insistiu hoje, repetidamente, no Parlamento, que não houve derrapagens nas obras da Parque Escolar e que o dinheiro gasto foi o necessário para melhorar as escolas.

Maria de Lurdes Rodrigues considerou ainda que o programa só está comprometido para o futuro, se não se fizerem escolhas.

"Há bom e mau investimento, o Governo tem de decidir se a educação é uma prioridade", disse, acrescentando que continuam a existir fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), passíveis de serem utilizados nesta área.

De acordo com a ex-governante, o programa da Parque Escolar não tinha dotação inicial, pelo que foi necessário recorrer a empréstimos bancários.

"O PIDDAC [Plano de Investimentos e Despesas e Desenvolvimento da Administração Central] do Ministério da Educação, em 2005, foi de 50 milhões de euros. A dotação era esta. Dotação inicial para o programa não havia - havia escolas degradadas. Fazia parte do programa procurar as fontes de financiamento", afirmou.

Lurdes Rodrigues quis contrariar "a ideia de que havia uma dotação inicial que foi gasta" e que agora não é possível continuar, por esse motivo.

"Foi necessário convencer o ministro das Finanças e o primeiro-ministro de que era necessária prioridade para investir na requalificação das escolas", contou.

Segundo Lurdes Rodrigues, o crédito conseguido na banca foi "importante para o desenvolvimento do país".

A ex-ministra disse também que a aplicação prática das diretivas europeias sobre a qualidade do ar e ambiente veio encarecer o preço estimado de cada obra.

"Nem é razoável dizer que, em 2008, o Governo devia ter adivinhado o que ia acontecer em 2011", retorquiu perante as críticas da maioria e da esquerda parlamentar.

"Aquilo que nos permite fazer uma avaliação do custo é a comparação com as práticas internacionais e o que acontecia no passado", alegou.

Para Lurdes Rodrigues, a Parque Escolar "conseguiu impor um paradigma de escola".

No final da audição, afirmou que a Casa da Música, no Porto, demorou mais quatro anos a ser construída do que o previsto, para contestar as críticas sobre atrasos nas obras.

O programa da Parque Escolar foi "um êxito, uma grande festa para o país e para a economia", reiterou, depois de o PSD ter mostrado que, além do dinheiro que foi gasto, ainda falta pagar quase mil milhões de euros.

"Foi caro? Foi o necessário para fazer, para termos escolas robustas, preparadas para o futuro", disse Maria de Lurdes Rodrigues que acrescentou: "Valorizo muito todo o trabalho que foi feito".

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