Luís Amado diz que partido deve ser "oposição responsável"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje que o PS deve ser uma "oposição responsável" e um "factor de estabilidade política" que ajude o país a sair do impasse em que mergulhou.

"O que está em causa é garantir estabilidade política no quadro da estabilidade governativa que um governo maioritário tem e que um governo minoritário não tinha. É bom que os partidos que têm mais afinidade programática e ideológica e uma visão mais próxima da matriz de governação económica que a Europa reconhece possam governar e que o Partido Socialista seja um factor de estabilidade política que ajude à estabilidade governativa", disse Luís Amado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros falava aos jornalistas à saída da sessão de abertura da assembleia anual do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorre hoje e sexta-feira em Lisboa.

"É nesse papel de uma oposição responsável que [o PS] deve preparar com os seus parceiros europeus da social-democracia uma alternativa à crise em que a Europa está mergulhada", acrescentou.

Luís Amado considerou positiva a "clarificação" verificada na vida política portuguesa e, quando questionado pelos jornalistas, afastou a ideia de uma solução governativa alargada.

"Defendi uma grande coligação quando era fundamental para evitar uma situação como a que hoje temos. Tinha, e tenho ainda hoje, a convicção que uma grande coligação reformista poderia ter salvo o país", disse, adiantando que esse cenário governativo está hoje fora de questão.

Para Luís Amado, é fundamental "repor rapidamente a credibilidade do país no plano internacional".

"O país fez um esforço enorme nas últimas décadas para se afirmar internacionalmente. É um país respeitado, credível, merece a confiança de muitos parceiros na comunidade internacional e esta crise ocorreu numa circunstância muito dramática para todos nós. Nunca devia ter ocorrido e podia ter sido evitada, mas agora que ocorreu, e estamos como estamos, temos que fazer um esforço para mobilizar o país", disse.

O ministro, que já tinha manifestando vontade de deixar a governação e não integrou as listas de candidatos a deputados às eleições de domingo, adiantou que no futuro "não terá qualquer responsabilidade política", garantindo que a sua acção passará pela intervenção cívica.

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