Louçã critica oportunidade do cartaz do Bloco sobre adoção gay

Histórico do BE questionou também a eficácia do 'outdoor' que está a dar polémica, mas também apontou o dedo à igreja católica

O antigo líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã criticou esta sexta-feira à noite o cartaz que o partido colocou a celebrar o fim da discriminação na lei da adoção, considerando "discutível" tanto a oportunidade como a eficácia da iniciativa.

"Acho muito discutível a oportunidade e a eficácia do cartaz", disse Louçã no seu espaço de comentário habitual na SIC Notícias.

Para o histórico bloquista, o momento em que surge o 'outdoor' não faz muito sentido - "a lei já foi aprovada há algum tempo" - e teria sido melhor celebrar outro assunto: "Eu veria mais facilmente hoje o Bloco a comemorar ou a sublinhar a discussão que tem sobre união de famílias, que pode ter a vida melhorada do ponto de vista de pagar menos eletricidade, uma conta que era tão elevada. Acharia mais natural uma escolha desse tipo".

Quanto à eficácia do mesmo, "o facto de se utilizar como argumento, mesmo que neste contexto, o de uma peça de humor, a religião ou uma referência religiosa é também problemático, sobretudo por uma questão de escolha. É que este debate não se deve atravessar sobre as religiões", disse.

No entanto, considerou que "a igreja teria sido mais prudente em manter-se reservada e não intervir neste terreno político", achando por outro lado "normal" as reações "dos partidos de direita". "Isso faz parte do jogo político", afirmou.

Louçã preferiu recentrar a discussão em "alguns aspetos da cultura social em Portugal", questionando: "É possível ou não fazer humor com profetas de uma religião - Cristo ou Maomé -, ou com instituições religiosas ou, até, com fábulas que constituem pilares essenciais de referência de uma religião, como a Imaculada Conceição? É possível ou não?"

"O nosso conceito moderno de liberdade e de responsabilidade sublinha que é natural que se use, neste terreno de humor, símbolos religiosos. Isso acho que é muito importante que se reafirme", reforçou Louçã.

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