Lisboa e Porto com ganhos de milhões em dez anos

Nos últimos 10 anos mais de 37 milhões de turistas passaram pela cidade de Lisboa, gerando receitas para o setor hoteleiro superiores a cinco mil milhões de euros. O Porto conseguiu duplicar os números de dormidas e de passageiros no aeroporto.

Segundo dados do Observatório do Turismo de Lisboa, desde 2004, ano em que se realizou em Portugal o Europeu de Futebol, até 2013 registou-se um aumento do número de turistas na capital, com exceção dos anos de 2008 e 2009, que coincidiram com o início da crise.

Em 2013, o número de turistas que pernoitaram em Lisboa foi de 4.328.655, dos quais 1.398.789 eram nacionais e 2.929.866 estrangeiros. Em 2004, o número de dormidas foi de 3.090.851. Nesse ano registou-se um aumento de 5% do número de turistas que dormiram na cidade, face ao que ocorrera em 2012.

No que diz respeito aos mercados emissores de turismo para Lisboa, aquele tem sido o principal é a vizinha Espanha, ainda que com alguma retração nos últimos anos. De França e do Brasil também têm chegado a Lisboa um grande número de turistas, sendo os dois países atualmente o segundo e o terceiro mercado emissor, respetivamente. No caso do Brasil, foi a partir de 2010 que começou a ganhar maior expressão, superando atualmente os visitantes italianos e britânicos.

Para dar resposta a esta procura, o diretor-geral do Turismo de Lisboa, Vítor Costa, referiu à agência Lusa que está projetada a abertura de 14 novas unidades hoteleiras durante este ano e o próximo e que estão ainda mais oito sem obra iniciada ou inauguração prevista.

O aumento do número de turistas na cidade de Lisboa e do número de dormidas contribuiu para que existisse nos últimos dez anos um crescimento praticamente contínuo das receitas turísticas para as unidades hoteleiras da capital. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as receitas provenientes da atividade turística foram em 2013 de 586.958.367 euros, o que representou um aumento de 8,3% face aos resultados obtidos no ano anterior. Em 2004 as receitas totalizaram 517.455.053 euros.

No total, desde 2004, o setor hoteleiro, entre hotéis, aldeamentos e apartamentos turísticos, arrecadou receitas de mais de cinco mil milhões de euros.

O aumento de turistas que visita a capital também pode ser aferido pelo crescimento do número de passageiros provenientes de voos internacionais que desembarcam no aeroporto de Lisboa.

De acordo com um estudo do Grupo Espírito Santo, o número de passageiros tem vindo a registar nos últimos sete anos um crescimento anual de quase 6%. Os voos 'low cost' têm sido aqueles que têm tido um maior crescimento relativo (mais de 20% ao ano).

Ainda de acordo com o mesmo estudo, também no movimento de passageiros de cruzeiros na região de Lisboa se tem verificado um aumento, registando-se um crescimento médio anual superior a 11%. Em maio deste ano o Porto de Lisboa acolheu seis navios cruzeiro, em simultâneo, entre eles três embarcações emblemáticas da frota britânica.

Segundo a administração do Porto de Lisboa, a chegada dos seis navios levou à capital portuguesa cerca de 13 mil turistas, o que, de acordo com dados da gestora de redes multibanco SIBS, se traduziu em ganhos económicos na ordem dos 500 mil euros.

O turismo de cruzeiros e a realização de grandes eventos, como o Rock in Rio, são apontados por associações de comerciantes lisboetas como os principais impulsionadores da crescente atratividade turística da capital, onde, ressalvam, há também questões por melhorar.

O Porto pode ou não estar na moda, como várias figuras e publicações têm dito e escrito, mas os números mostram que conseguiu mais do que duplicar os números de dormidas e de passageiros no aeroporto.

Se quando acolheu o campeonato de futebol Euro 2004 a hotelaria do concelho registava 1.064.188 dormidas, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os números avançados pela Associação de Turismo do Porto e Norte apontavam para um 2013 com 2.498.121 dormidas.

Por seu lado, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro contava com um tráfego de cerca de 2.944.000 passageiros, de acordo com o relatório e contas da ANA -- Aeroportos de Portugal para 2004, tendo crescido gradualmente para os 6,4 milhões do ano passado.

No documento da empresa gestora dos aeroportos para 2005 já se podia ter noção do impacto da chegada da companhia de baixo-custo Ryanair àquela estrutura: "No Aeroporto F. Sá Carneiro, iniciou-se em 2005 a operação da Ryanair, na rota Londres-Stansted, que veio dinamizar o tráfego com o mercado do Reino Unido (+46,3% na oferta e +76% na procura)".

Em 2012, o impacto das companhias 'low-cost' era mais notório, com a ANA a escrever que "em termos de companhias aéreas importa referir o excelente desempenho da Ryanair, easyJet, Transavia e Lufthansa, sendo que cerca de 65% do tráfego no aeroporto do Porto foi operado pela Ryanair e pela TAP Portugal".

"Entre as rotas com performance mais positiva neste aeroporto cinco foram operadas pela Ryanair e duas pela easyJet", acrescentava a empresa no relatório e contas de 2012.

Os dados do INE revelam que, se em 2004, já com o impulso do Euro 2004, a hotelaria contou com 583.017 hóspedes, em 2012 (último ano para o qual está disponível o Anuário Estatístico da Região Norte) esse número atingiu os 952.185.

Em termos de mercados de origem, dados do INE usados pelo Turismo de Portugal referentes a toda a região Norte revelam uma explosão de turistas provenientes de diversos países que, em 2004, apresentavam valores diminutos.

No caso do Brasil, se em 2004 a região recebia 25.715 hóspedes desta nacionalidade, o número em 2012 foi de 103.673, enquanto a França, país várias vezes apontado pelas entidades do setor nacional como responsável pela sustentação do turismo em anos recentes, via duplicar os seus valores: de 72.473 em 2004, a região Norte recebeu 148.537 hóspedes em 2012.

Em relação ao país de origem da primeira rota da Ryanair para o Porto, o Reino Unido apresentou um crescimento modesto, por comparação ao crescimento exponencial de países como a Bélgica (de 12.000 para 28.000) ou até mesmo a Itália (de mais de 47.000 em 2004 para perto de 69.000). Assim, os visitantes britânicos da região Norte passaram de 52.891 em 2004 para 57.217 oito anos depois.

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