"Lisboa Alfacinha" símbolo de força e ajuda

Andreia Cardoso tem 24 anos e foi mãe há 18 dias de uma bebé que, se seguir as pisadas da mãe, "vai adorar marchar e querer ser mascote da nossa marcha".

A jovem Andreia ensaiou, todos os dias, no ginásio da Escola Secundária Rainha D. Amélia, junto "da sua família", até ao dia anterior ao do parto e passada uma semana já se encontrava cheia de força e energia para "trabalhar afincadamente para ganhar". Tudo porque queria participar num espetáculo que lhe causa "um friozinho na barriga" e que, este ano, desfilará com o tema "Lisboa Alfacinha com Alcântara no Coração". Uma homenagem à cidade e aos pontos turísticos que "tanto embelezam Lisboa alfacinha e atraem milhares de turistas", explicou Francisco Ferreira, um dos dois aguadeiros da marcha.

Este morador de Campo de Ourique, mas que se desloca, diariamente, para Alcântara, marcha desde 1988 e garante que "ama esta marcha pelo espírito, pelo convívio e pela alegria que se vive. Este grupo é uma família". Que o diga Nuno Seródio, um marchante surdo-mudo, que, através do seu instinto de lutador e com a ajuda dos seus amigos marchantes, acompanha todos os passos da coreografia, segurando firmemente um dos 12 arcos, sem falhar uma única vez. "Aqui todos nos ajudamos uns aos outros, porque todos gostamos desta festa e desta alegria, porque isto (as Marchas Populares de Lisboa), afinal, é um bocadinho da cidade", acrescenta o aguadeiro.

O ano de 1994 é especial para Alcântara, ou, pelo menos, para os participantes mais velhos. "Conquistámos o 2.º lugar, mas para nós foi como se tivéssemos ganho o primeiro." Nesse ano, a população da freguesia não acreditou na qualidade do grupo de participantes, porque "fizemos uma reciclagem total à marcha e introduzimos muitos miúdos novos do bairro, cheios de vontade em participar e ganhar. Na altura, até nos chamavam "A Voz do Operário"", contou Francisco Ferreira. "Mas nós chegámos lá e mostrámos o que valemos", finalizou, orgulhoso com a conquista do passado, que espera repetir este ano.

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