Lesados do BES concentrados em Lisboa à espera de solução

Grupo de trabalho que negociou solução para os lesados do papel comercial do BES está hoje reunido no Banco de Portugal com um representante do Ministério das Finanças

Cerca de 40 clientes lesados do papel comercial do GES, vendido aos balcões do BES, estão hoje a manifestar-se em frente ao Banco de Portugal, em Lisboa, esperando uma solução da reunião que está a decorrer.

Desde as 10:00 da manhã que o grupo de trabalho que negociou uma solução para os lesados do papel comercial do Banco Espírito Santo (BES) está reunido no Banco de Portugal (BdP) com um representante do Ministério das Finanças.

Em causa estão os cerca de 2000 clientes de retalho que investiram 432 milhões de euros em papel comercial das empresas Espírito Santo International e Rioforte, do Grupo Espírito Santo (GES), vendidos aos balcões do BES, e que foram dados como perdidos com a queda do banco e do grupo, em 2014.

Carlos Peixoto, de 62 anos, veio de Braga para pedir que haja, finalmente, um entendimento que já é aguardado desde, pelo menos, maio último.

"Estamos à espera há demasiado tempo. Acredito na promessa feita pelo primeiro-ministro atual, o anterior foi uma vergonha, e estamos com muita expectativa de que hoje haja uma solução", disse o lesado à Lusa.

O cliente do ex-BES afirmou que nunca na vida tinha investido em produtos de risco e que pôs em papel comercial as poupanças do trabalho na indústria metalúrgica e como fotógrafo em casamentos ao fim de semana porque lhe garantiram, em fevereiro de 2014, que era seguro.

"É o dinheiro da minha vida, passei a vida a trabalhar e nunca imaginei o que era o papel comercial. Nunca investi um euro em ações, só em depósitos em PPR [Planos de Poupança Reforma] ", afirmou.

Já Agostinho Santos, de 64 anos, veio de Leiria, "esperançado que hoje a situação se vai resolver".

Contando que trabalha desde os 13 anos, e que foi com esforço que montou uma empresa de construção de mobiliário com dois amigos, diz que não anda a dormir bem e "com medo" desde que criou a expectativa de que ia ser reembolsado de, pelo menos, parte do investimento que fez e que garante ter-lhe sido vendido como um produto seguro e equivalente a depósitos a prazo.

"Eu investi o dinheiro porque era seguro e era um investimento a curto prazo, a nove meses. Sempre fiz investimentos a curto prazo porque queria estar tranquilo e, afinal, estou à espera há mais de dois anos", declarou, receando que o reembolso "não se concretize".

Desde o início do ano que o primeiro-ministro, António Costa, se empenhou pessoalmente numa solução para estes clientes, justificando com a necessidade de estabilizar o sistema financeiro.

Em março foi constituído um grupo de trabalho para se chegar a uma solução, que durante meses negociou o mecanismo de compensação em dezenas de reuniões entre os representantes dos lesados, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Banco de Portugal, sob mediação do Governo, através do advogado Diogo Lacerda Machado.

A solução, que está já há algumas semanas nas Finanças para ter o aval, passa pela criação de um fundo de indemnização, que irá adiantar o dinheiro aos lesados (que ainda assim irão sofrer perdas), ficando em troca com os direitos judiciais dos processos judiciais que os lesados coloquem contra o GES e os seus administradores.

Será depois esse veículo que irá continuar com a litigância na Justiça e receber eventuais compensações decididas pelos tribunais.

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