Legalizar 'venda' de drogas leves? Talvez seja só um "estado de alma" da ministra da Justiça

PCP considera "precipitada" a proposta de Paula Teixeira da Cruz. PS diz que são declarações "muito pouco profundas".

São pelo menos três as perguntas. "O fornecimento seria com receita médica ou para consumo lúdico? Como é que um médico poderia passar uma receita com esse objetivo? Seria para todas as drogas e em que circunstancias?"

Carlos Gonçalves, do PCP, em declarações à TSF, espera para ver a confirmação "de um possível estado de alma de Paula Teixeira da Cruz".

Para o PCP, a proposta é "precipitada". E aguarda por mais esclarecimentos.

Já a deputada Maria Antónia Almeida Santos (PS) , presidente da comissão parlamentar de saúde concorda, em tese, com a ideia de que a disponibilização de drogas nas farmácias pode levar a uma quebra na criminalidade.

Em declarações à TSF, a deputada socialista pede à ministra que clarifique a ideia porque as declarações foram "muito pouco profundas".

Maria Antónia Almeida Santos diz ainda ter "algumas dúvidas"porque a comunidade científica não é unânime em relação à divisão, estabelecida pela ministra Paula Teixeira da Cruz, entre drogas leves e drogas duras.

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, afirmou este sábado, que concorda com a despenalização do uso de drogas leves, para que "não haja criminalidade altamente organizada e branqueamento de capitais".

"Está demonstrado, e para mim foi muito claro com a lei seca nos Estados Unidos, que a repressão nessa matéria, a proibição, leva a que se pratiquem aqueles crimes e crimes associados. Nesse contexto, eu entendo que há vantagens em fazer essa liberalização. Embora não goste da palavra. O que estamos a falar é despenalizar", afirmou a ministra em entrevista à rádio TSF.

Para Paula Teixeira da Cruz, a despenalização do consumo de drogas leves - disponibilizando-a, por exemplo, em farmácias - representa não um ganho para o Estado, mas sobretudo para os cidadãos, porque não alimenta um negócio "profundamente rentável".

"É para que não haja criminalidade altamente organizada e branqueamento de capitais nessa matéria", afirmou a ministra da Justiça.

A ministra nesta entrevista à TSF admitiu ainda que "num agravamento de cenário, e mediante controlo jurisdicional, pode fazer sentido" que as secretas possam realizar escutas.

Paula Teixeira da Cruz disse estar "perturbada" com as violações ao segredo de justiça. Mas garante que perante o confronto entre a liberdade de imprensa e a proteção do segredo de justiça, não é "adepta da morte do mensageiro".

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