Julgamento suspenso por uma semana

O julgamento do caso Remédio Santo foi suspenso até à próxima semana. Os advogados dos arguidos, suspeitos de burlar o Estado em quatro milhões de euros, apresentaram ao MP uma proposta de acordo de pena e o Procurador do Ministério Público entendeu que estão criadas as bases para avançar para uma negociação.

O julgamento começou hoje no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, mas o coletivo de juízes suspendeu a sessão até às 15:00 para que os advogados apresentassem ao magistrado do MP as propostas de acordo em sentença de pena.

Após o almoço os jornalistas foram informados que o Procurador do MP entende que estão criadas bases para uma negociação que possa culminar com um acordo de pena.

"Todos os arguidos apresentaram propostas ao senhor procurador. Houve recetividade da parte do Ministério Público para nos ouvir e para chegarmos a um acordo de interesses. O senhor procurador vai agora analisar e estudar as propostas e,às 14:00, voltamos a reunir para sabermos qual é a sua posição e, eventualmente, apresentarmos uma contraproposta", explicou o advogado Dantas Rodrigues, cerca das 12:30, após a reunião com o procurador.

João Nabais, outro advogado no processo, acrescentou aos jornalistas, à saída do Tribunal de Monsanto, que as propostas apresentadas "são de valor económico muito significativo", mas revelou que não chegam aos quatro milhões de euros, valor pedido pelo Estado no pedido de indemnização civil.

Os arguidos são suspeitos de pertencerem a uma alegada rede que, através de um suposto esquema de uso fraudulento de receitas, terá lesado o SNS em cerca de quatro milhões de euros.

Entre os 18 envolvidos estão seis médicos, dois farmacêuticos, sete delegados de informação médica, uma esteticista (ex-delegada de ação médica), um empresário brasileiro e um comerciante de pão.

O médico Luíz Renato Basile é o único arguido em prisão preventiva, nove outros elementos estão com pulseira eletrónica e os restantes encontram-se em liberdade.

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