J.P. Sá Couto disputa novo concurso com multinacionais

Apesar das polémicas com o 'Magalhães' no 1.º  ciclo, a empresa confirma que quer ver o 'Magalhães 2' nas escolas. Mas desta vez terá concorrência, como o 'Latitude 2100' da Dell, empresa que se queixou do exclusivo dado à Sá Couto.

Apesar das polémicas em torno da empresa e do próprio Magalhães, a J. P. Sá Couto- que produz o computador e teve até agora o exclusivo dos fornecimentos para o programa e-escolinha-, vai concorrer, lado a lado com alguns dos gigantes do mercado mundial, num concurso público internacional que o Governo vai lançar para a aquisição de mais portáteis para os alunos do 1.º ciclo do básico.

Para este concurso - que já deveria ter sido lançado no dia 15 de Dezembro- o Governo aprovou um orçamento de 50 milhões de euros, destinados à aquisição de 250 mil portáteis.

A empresa - que distribuiu 396 mil portáteis no primeiro ano de e-escolinhas, sem contar as vendas para o circuito comercial - vai agora entrar no jogo com a versão dois do Magalhães -o MG2, mais sofisticado do que o portátil até agora distribuído, confirmou ao DN um dos donos e gestores, João Paulo Sá Couto.

"Sempre concorremos a vários concursos aqui e lá fora e também vamos concorrer a este. Sabemos que neste vamos enfrentar alguns dos maiores gigantes mundiais do mercado, mas estamos optimistas", afirma, acrescentando: "Fomos pioneiros nos portáteis para a crianças com menos de 10 anos, o que constitui uma vantagem".

Por isso, o gestor considera que a empresa "está bem posicionada para ganhar" .

O fornecimento aos alunos da escolas portugueses, garantido por adjudicação directa, de centenas de milhares de Magalhães, levou a União Europeia a averiguar a possível violação das regras de concorrência comunitárias e o PSD a pedir a constituição de uma comissão de inquérito na AR sobre esta matéria.

Mas, desta vez, o 'Magalhães' terá concorrência de peso. Entre as várias empresas que têm sido referidas como potenciais rivais da J.P. Sá Couto nos concursos internacionais, a primeira a confirmar ao DN a intenção de avançar foi a Dell.

Por sinal, esta foi uma das empresas que primeiro se queixou das condições de exclusividade dadas pelo Governo de José Sócrates ao Magalhães quando o programa tecnológico e-escolinhas foi lançado.

"Seguramente que sim", disse ao DN João Albuquerque, principal responsável da representação portuguesa desta empresa norte-americana, quando questionado sobre a intenção de participar no novo concurso que será lançado pelo Ministério da Educação. "Até porque fomos dos que mais defenderam que a forma como isto foi feito, da primeira vez, não foi a mais correcta", explica João Albuquerque.

Segundo este responsável, a escolha lógica da empresa será "o portátil Latitude 2100", um modelo para o segmento K12 (do jardim-de-infância ao 12.º ano), que já marca presença entre as opções do programa e-escolas, no qual nunca houve exclusivos.

Atendendo às condições anunciadas pelo Governo, a comparticipação por portátil deverá rondar os 200 euros, acrescidos do valor pago pelas famílias - variável, entre os zero e 50 euros, em função do escalão de acção social.

Valor que, assumiu João Albuquerque, implica "algum esforço" da empresa, mas poderá vir a ser atingido graças à sua dimensão internacional da empresa: "A Dell, para estar neste concurso, vai recorrer a todo o apoio distributivo que tem, de forma a trazer os computadores para cá em condições competitivas".

Oficialmente, as famílias portuguesas já podem inscrever-se no programa e-escolinhas, mas ainda não há data prevista para as entregas (ver caixa). O Ministério da Educação não respondeu às questões do DN.

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