Jovens guardas reforçam segurança das piores cadeias

Os 400 novos guardas prisionais recém formados entrarão a 2 de abril nas cadeias onde estagiaram mas dessas serão transferidos para algumas das prisões mais difíceis do país

Os 400 novos guardas prisionais, que entram em funções em abril, vão ser colocados nas prisões mais difíceis da área metropolitana de Lisboa, onde também existe maior carência de profissionais, soube o DN junto de fontes prisionais.

Os 500 guardas antigos serão, por sua vez, transferidos para estabelecimentos prisionais mais pequenos e calmos. Entre novos e veteranos haverá um "movimento geral de quase 900 guardas", adiantou ao DN o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves.

Os "caloiros" no sistema prisional estão agora de férias depois de terem terminado o curso, tendo a cerimónia de posse que estava prevista para 27 de março sido anulada e adiada (ainda sem data para se realizar). Voltarão às cadeias onde estagiaram a 2 de abril mas apenas até à investidura porque depois "serão colocados em algumas das prisões mais difíceis e onde há mais necessidades como o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), Vale de Judeus (Alcoentre), EP Sintra, Linhó (Sintra), Carregueira (Belas), EP Faro e Pinheiro da Cruz (Grândola), segundo esclareceu Jorge Alves.

Em contrapartida, os "mais velhos serão transferidos para cadeias mais pequenas e mais calmas". Segundo o dirigente sindical "dos 400 novos guardas, cerca de 80 irão para as ilhas açorianas da Terceira e São Miguel e os outros para as cadeias de Lisboa e sul do país".

A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) não especificou ao DN em que prisões serão colocados os novos efetivos. "Após a tomada de posse, os novos elementos do corpo da guarda prisional serão afetos de acordo com a ordem de classificação obtida no curso de formação inicial (já concluído) e das preferências por estes manifestadas em função das vagas/estabelecimentos prisionais disponibilizados", respondeu a DGRSP. Além desses 400 jovens, a Direção Geral confirmou que se vai proceder ao movimento geral de mais 500 guardas, "decorrente das necessidades de reforço assinaladas no sistema e de pedidos de transferência registados".

Quanto ao facto de os novos elementos não ficarem nas cadeias onde estagiaram, a DGRSP esclarece que "não é possível que todos mantenham, de forma direta, a afetação aos estabelecimentos prisionais onde realizaram os estágios num quadro de formação em contexto real de trabalho".

O concurso de ingresso dos 400 novos guardas tem quatro referências distintas, abrangendo especificamente a Região Autónoma dos Açores e os estabelecimentos prisionais femininos. As cadeias açorianas (Angra do Heroísmo na ilha Terceira e Ponta Delgada na ilha de São Miguel) "vão receber mais elementos da vigilância do que os que ali estagiaram". Já no caso dos estabelecimentos prisionais femininos será o contrário, "uma vez que a afetação de elementos do sexo feminino não se restringirá apenas a estas cadeias específicas".

O dirigente sindical Jorge Alves adianta que "uma boa parte do novo contingente de guardas irá para o Estabelecimento Prisional de Lisboa [EPL], onde há muita falta de elementos".

A cadeia central de Lisboa é uma das mais sobrelotadas, com cerca de 1000 presos quando devia ter 800. O mesmo acontece na cadeia central do Porto (Custóias) que alberga mais de um milhar quando a lotação é de 700. Quase todas as cadeias regionais estão em sobrelotação: Setúbal tem uma taxa de 300%.

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