João Cordeiro recua nas críticas a Sócrates

O presidente da Associação de Farmácias, João Cordeiro, recuou nas críticas ao primeiro-ministro, que apelidou de "traidor" e "mentiroso" devido a uma alteração ao regime das farmácias hospitalares, atribuindo as culpas do "engano" ao secretário de Estado da Saúde.

João Cordeiro disse hoje, num encontro com jornalistas, que se sentia "usado e traído" porque José Sócrates não teria respeitado o acordo negociado com o sector das farmácias.

Na origem da irritação do presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF) estaria a "alteração ao regime de instalação de farmácias hospitalares, com o único objectivo de proteger um grupo empresarial" aprovada "à pressa" no Conselho de Ministros de quinta-feira, esclareceu, num comunicado posterior ao encontro com jornalistas.

No documento, João Cordeiro refere que só depois de ter falado à comunicação social soube oficialmente que o primeiro-ministro desconhecia "os procedimentos sigilosos em relação ao diploma e a circunstância de não terem sido consultados os parceiros sociais, designadamente a ANF".

João Cordeiro também só soube depois que "as normas que protegiam escandalosamente os actuais concessionários foram retiradas do diploma pelo próprio Conselho de Ministros", considerando que "nestas circunstâncias há condições para ser retomada a normalidade das relações entre o Governo e a ANF".

No entanto, embora elogie a eliminação dessas normas, o presidente da ANF critica ao secretário de Estado e da Saúde, Francisco Ramos, a quem atribui a inclusão inicial das normas no projecto de diploma, o que considera "um acto da maior gravidade".

"Tem para nós um evidente significado político que não nos surpreendeu e não esquecemos. É um acto que está de acordo com a atitude permanente desse membro do Governo em relação às farmácias privadas, desde 2005", remata João Cordeiro.

RCR/SMM.

Lusa

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