Joana Bárcia já escrevia peças na primária

No âmbito da iniciativa Professor do Ano, a atriz fala ao DN sobre as suas maiores influências nas escolas que frequentou, desde o professor de Português que "ameaçava" os alunos com um guarda-chuva até aos grandes mestres no teatro.

Ainda se lembra da sua primeira escola?

Sim. Andei numa escola que se chamava a Torre, no Restelo, uma escola particular que tinha um sistema de ensino um pouco progressista. Punham os miúdos a falar de filosofia, incentivavam a criatividade, e na qual tive duas das professoras mais marcantes. Uma delas era a Ms. Garcia, e foi com ela que tive o primeiro contacto com o inglês.

Ms. Garcia? Era portuguesa ou inglesa?

Era inglesa e dava-nos aulas na sua casa, que era perto da escola. Graças a ela, hoje em dia não tenho dificuldades com a língua. E tive também uma professora muito interessante, que nos acompanhou na escola primária. Só me lembro do nome pelo qual a conhecíamos: "Voé." Era uma professora que nos incentivava a falar de questões filosóficas. Obrigava-nos a pensar e a ter em conta o que é estar em comunidade, a deixar também os outros falar e pensar. Dessa escola o pior foi se calhar o ensino da Matemática, que ficou um bocadinho aquém, e hoje em dia ainda tenho dificuldades em fazer contas. Mas não sei se foi culpa da escola ou se é um problema meu...

E depois da primária, teve alguns professores que a tenham marcado?

Depois estive na Escola Secundária do Restelo, da qual francamente não tenho memória de professores que me tenham marcado. Depois fui para uma escola prefabricada e provisória em Belém-Algés. Não me lembro do nome nem sei se ainda existe, mas era uma escola muito interessante. Tive um professor de Português muito engraçado. Era seminarista e foi ensinar Português. Era muito entusiasmado e tinha graça: andava sempre com um guarda-chuva e ameaçava bater com ele na cabeça de quem não estava a prestar atenção.

Hoje em dia podia ser mal interpretado...

Hoje em dia seria alvo de processo disciplinar, de certeza, mas aquilo para nós era divertido. E a verdade é que dava aulas com um entusiasmo que nos fazia irpor ali fora muito contentes...

E o seu entusiasmo pela profissão de atriz, também nasceu na escola?

Bem, na primária escrevia peças para fazermos na quarta classe. Eu e um amigo andávamos sempre a inventar coisas. Se calhar foi daí que apareceu esse lado...

E fez alguma formação específica paraseguir a carreira de atriz?

Sim, mais tarde fiz um curso do IFICT [Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral], um curso da União Europeia. O meu mestre de teatro era o professor Ávila Costa, que foi muito importante para a minha carreira. Muitos dos que são atores e passaram pelas mãos dele reconhecem isso: abriu portas a um estilo de ensino. Também pela maneira dele encarar o teatro e a profissão. Ainda estudei no conservatório [Nacional, na Escola Superior de Teatro e Cinema]. Não durou muito tempo. Mas tive bons professores. João Mota. Excelente pedagogo. E João Brites, também, um método completamente diferente, clássico, e o Antonino Sommer, no lado mais intimista...

Porque não durou muito tempo o Conservatório?

Não cheguei a acabar. Fui anulando matrículas porque comecei a trabalhar e não cheguei a terminar. Mas foi importante: tive alguns professores de teóricas muito interessantes na minha altura, como a Eugénia Vasques e o João Mota. A teoria é importante: também se aprende muito o que não se deve fazer.

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