Já existem sete lojas a vender drogas em Portugal

O mercado das substâncias legais está a expandir-se no País. Quem compra diz que é mais seguro do que as ilegais da rua

"Comprei pastilhas de LSD na rua e tive uma experiência traumática: alucinações e ataques de pânico durante dois dias. Agora só compro em smartshops, tenho medo." Elsio de 24 anos é um dos clientes frequentes de uma das sete lojas que vendem drogas legais em Portugal, a maioria em Lisboa. Quatro delas abriram portas este ano.

"Aqui sei o que compro e sei que é seguro", garante também uma estudante de Direito de 23 anos, que sai da Magic Mushroom, no Bairro Alto. A jovem não é uma cliente assídua desta loja que oferece drogas legais, muitas delas com efeitos semelhantes às drogas proibidas por lei, como é o caso do ecstasy. "Apenas em dia de festa venho comprar um pó (35 euros por grama) parecido com o MD (ecstasy), que na rua custa cerca de 55 euros. É um pouco mais fraco, mas faz-me socializar e aguentar a noite toda", explica.

Das sete lojas abertas no País, apenas três são fora de Lisboa: uma em Aveiro, outra em Cascais e uma no Porto. A esta deve juntar-se "brevemente" mais uma loja do grupo Magic Mushroom.

Na capital há uma em Alfama e outra em Santos e duas no Bairro Alto. Nesta zona há sempre clientes a entrar e a sair. Olham as montras, espreitam e entram. Alguns sabem bem ao que vêm e não se demoram. Os menos experientes fazem muitas perguntas e procuram o que mais lhes convém. Um cliente, 30 anos, chega de moto, demora alguns minutos na loja e sai: "Venho só comprar algo para fumar, mas na rua é mais forte e mais barato", garante.

Neto Nunes é um dos quatro sócios da loja de Santos, Freemind, que abriu as portas há três semanas. "O que tem mais procura são os afrodisíacos. Uma caixa com seis comprimidos custa 45 euros", conta. As mais baratas são as substâncias energéticas, rondam os 20 euros e os calmantes custam cerca de 35. As drogas legais - sejam ervas, pós ou pastilhas - prometem os mesmos efeitos de drogas ilegais como o haxixe ou o ecstasy. Chegam a Portugal vindas da Holanda, dos EUA e do Canadá.

Para o psiquiatra especialista em toxicodependências, Luís Patrício, os efeitos e os riscos destas drogas são muito semelhantes aos das drogas ilegais. A legalidade destas substâncias é "meramente jurídica", diz. "A qualquer momento podem tornar-se ilegais, e quem as produziu em laboratório inventa logo algo novo, ainda legal, e o mercado não pára. São estratégias comerciais."

Os especialistas dizem também que este consumo pode levar mais jovens a tornarem-se dependentes de drogas, que de outra forma nunca experimentariam (ver entrevista).

Na loja de Cascais, aberta há um mês, Luís Vitorino vende sobretudo os bongos, cachimbos e as narguilés e cada cliente seu gasta em média 10 a 20 euros. "Liberta a tua mente" é a sugestão para a compra da variada oferta existente: cogumelos mágicos, sementes de LSA, Salvia divinorum, calmantes/relaxantes, afrodisíacos, energéticos, chás, infusões, cachimbos, bongos, mortalhas e acessórios diversos.

"Os chás e os incensos são muito bons, relaxam e provocam bem--estar. Em vez de beber um whisky quando chego a casa, tomo um chá para ir dormir", conta Gil Castro, 28 anos, comercial, enquanto examina todos os produtos nas prateleiras e pergunta por "coisas novas".

Todas as lojas têm à porta o aviso: Entrada proibida a menores de 18 anos. Contudo, a maior parte dos clientes têm entre os 30 e os 50 anos e das mais variadas profissões. "São pessoas com estudos, da classe média, média-alta. Vem cá de tudo, bancários, designers e também cá vêm engravatados", diz Neto Nunes.

Apesar de a loja do Bairro Alto ter sempre gente a entrar e a sair, a de Santos tem mais afluência na hora de almoço e entre as 22.00 e as 24.00, quando fecha. Os dias com mais venda são a sexta-feira, o sábado e a segunda-feira. "Há uma procura maior à noite. Em média uma pessoa gasta cerca de 50 a 60 euros em energéticos para uma noite", conta o proprietário.

O mercado das drogas legais está a expandir-se no País e os proprietários garantem que tem saída. Foi em 2007 que abriu a primeira loja, sendo também a primeira da Europa fora do território holandês.

A abertura do Cogumelo Mágico, em Aveiro, foi alvo de uma grande polémica. O proprietário chegou a ser detido devido à presença de substâncias ilegais à venda. O dono do Cogumelo Mágico, Carlos Marabuto, foi acusado pelo Ministério Público de tráfico de estupefacientes, mas o Tribunal de Instrução Criminal da Comarca do Baixo Vouga decidiu não o levar a julgamento em Outubro.

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