"Ir aos Açores reencontrar a família portuguesa foi como regressar a casa"

Craig Mello, tinha 46 anos quando ganhou o Nobel da Medicina, em 2006, pela descoberta, com Andrew Fire, do mecanismo de silenciamento dos genes.

Ganhou o Nobel da Medicina há quase nove anos. Continuam a procurá-lo por causa do prémio?

Uma das coisas fantásticas do Nobel é que isso me deu a oportunidade de falar com pessoas não cientistas, o que me agrada imenso. Passei a ser convidado para falar a jovens nas escolas e a audiências muito diversificadas. Outra coisa boa foi ter restabelecido o contacto com o meu passado português, dos Açores.

Não o tinha feito antes?

Não. A mãe e o pai do meu avô deixaram os Açores antes de o meu avô nascer, ele já nasceu nos Estados Unidos. E eram demasiado pobres para poderem voltar aos Açores. Ninguém na família o tinha feito antes. Depois do Nobel, tivemos um convite para ir e passámos uma semana a passear, a conhecer as ilhas e a reencontrar a família.

Como viveu esse reencontro com a família portuguesa nos Açores?

Teve um efeito profundo em mim. Num certo sentido, foi como regressar a casa, ir à pequena aldeia de Maia, em São Miguel, de onde partiram os meus antepassados. O meu avô falava dessa aldeia, porque o pai tinha-lhe contado todas as histórias. Sair dos Açores foi uma grande mágoa para eles, mas tiveram de o fazer porque não havia trabalho. Foram para a América e fixaram-se em Rhode Island, onde agora vivo também. Foi fantástico refazer os laços com a família portuguesa. A minha filha, que tinha 14 anos quando fomos da primeira vez, já acabou o curso na universidade. Estudou português, fala fluentemente, e tornou-se próxima dos nossos familiares nos Açores. Aquela experiência de ir àquelas ilhas lindíssimas e conhecer aquelas pessoas maravilhosas, que são nossos primos afastados, marcou-a muito.

Exclusivos