Vigília em Belém contra lei da mudança de género para pedir veto ao Presidente

Quase uma centena de pessoas, na sua maioria pais, reuniram-se frente à Presidência da República para pedir a Rebelo de Sousa que vete a lei aprovada no parlamento que permite a mudança de género a partir dos 16 anos

Quase uma centena de pessoas juntou-se esta quarta-feira em frente da Presidência da República numa vigília para pedir o veto do Presidente à lei aprovada no parlamento que permite a mudança de género a partir dos 16 anos.

Com um cartaz onde se lia "Somos pais indignados, basta, não nos conformamos", os manifestantes mostraram assim o seu desacordo em relação à lei aprovada na última sexta-feira e que antecipa a possibilidade de mudança de género dos 18 para os 16 anos, sem necessidade de relatório médico.

Convocada nas redes sociais, a vigília juntou poucas pessoas e durante pouco tempo, tendo os organizadores entregado na Presidência uma carta a pedir que Marcelo Rebelo de Sousa vete a lei.

"Acreditamos que Marcelo Rebelo de Sousa vai olhar para isto como pai, avô, cidadão e Presidente da República e perceber a nossa preocupação. Está em risco a vida de pessoas, que pode ficar destruída para sempre", disse à Lusa Sofia Guedes, uma das organizadoras da concentração.

E o principal motivo da preocupação, disse Sofia Guedes, professora, é o de que os jovens com 16 anos não têm maturidade para tomar uma decisão como a de mudança de género.

"Não podem ter carta de condução, beber álcool, votar, mas podem mudar de sexo", lamentou, alertando depois: "quando se cria oferta gera-se procura".

Não podem ter carta de condução, beber álcool, votar, mas podem mudar de sexo

Sofia Guedes, que diz ser solidária e compreender os casos reais de necessidade de mudança de género, teme que com esta lei a mudança de género se faça sem pensar, se faça até por moda, embora na verdade seja um processo que tem "repercussões graves" no futuro do jovem e da família.

"Não somos solidários com a banalização da possibilidade. Preocupa-me a ligeireza com que se podem tomar decisões sem responsabilidade. Com 16 anos é-se ainda uma criança, não se tem maturidade para se decidir quase nada", disse.

Manuel Matias, que trabalha com crianças e jovens, dirigente do partido Cidadania e Democracia Cristã, em declarações à Lusa também considerou "inconcebível que leis que ponham em causa um jovem sejam aprovadas assim pelo Parlamento português".

"Trabalho com jovens e, com 16 anos, um jovem não tem capacidade nem maturidade para tomar decisões para a vida", disse, acrescentando que nessa idade o cérebro está ainda em construção, e considerando que a lei só foi aprovada porque há um Governo "fragilizado" por partidos que impõem "barbaridades".

Defendendo o veto de Marcelo Rebelo de Sousa à lei, aprovada com os votos do PS, BE, PEV e PAN, Manuel Matias disse que "impor uma lei que exclui os médicos e a família", quando as pessoas devem ser acompanhadas, "não faz sentido".

A Associação dos Médicos Católicos Portugueses também já pediu a Marcelo Rebelo de Sousa que vete a lei, que foi elogiada por diversas associações e pelo Governo.

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