Vereador da Marinha Grande pede demissão do presidente do ICNF

O autarca defende que Rogério Rodrigues, presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, "tem que sair da inação" na sequência dos incêndios de outubro de 2017

O vereador do Movimento pela Marinha na Câmara da Marinha Grande, Aurélio Ferreira, pediu hoje a demissão do presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) na sequência dos incêndios de outubro de 2017.

Numa carta tornada pública e enviada a Rogério Rodrigues, com conhecimento do Presidente da República, primeiro-ministro, ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, o autarca adiantou que aquele dirigente, "nas responsabilidades que tem como presidente, tem que tomar decisões, tem que ter autonomia, tem que ter meios, tem que sair da inação, tem que demonstrar competência, tem que revelar responsabilidade, tem que ter capacidade para implementar a missão do ICNF e, por isso, tem que arranjar forma de proteger o Pinhal de Leiria".

"Caso contrário, os marinhenses merecem respeito, a sua única saída é demitir-se da presidência do ICNF", reforçou.

Na carta enviada, Aurélio Ferreira conta que deixou três "pedidos especiais" num encontro em janeiro, nomeadamente que se procedesse ao "corte prioritário das árvores em risco de queda", de modo a que fosse possível reabrir as estradas para a quinta-feira da Ascensão, que se comemora a 10 de maio.

Uma das missões do ICNF é a limpeza e a manutenção das matas. O Pinhal do Rei ardeu 86% e continuamos a assistir a um desprezo deste território

"Esta foi uma zona que felizmente o fogo não quis queimar (...). As árvores que existem em risco de queda já se reportam ao temporal de 2013, ou seja, o senhor engenheiro teve cinco anos para as mandar cortar e, até ao momento, ainda não o fez. Aproveitou o incêndio na restante mata para fechar esta estrada e eu fiz-lhe este pedido com cinco meses de antecedência", sublinhou.

Aurélio Ferreira apontou ainda a falta de limpeza na área envolvente à zona industrial (ZI), "denominada Mata do Casal da Lebre".

"Recordo-lhe que falei sobre o perigo resultante do pinhal envolvente à ZI, tal como os membros da Assembleia Municipal da Marinha Grande. Na circunstância, assumiu que seria aberta a faixa até final de abril".

Segundo o vereador, "este problema ainda não foi resolvido, a legislação em vigor não está a ser cumprida".

Para o autarca, Rogério Rodrigues deve "reconhecer que nada fez do que os marinhenses esperavam"

"Uma das missões do ICNF (relevo que tem no nome 'conservação') é a limpeza e a manutenção das matas. O Pinhal do Rei ardeu 86% e continuamos a assistir a um desprezo deste território, não há sinais de investimento, de preocupação e de uma ação estruturada de limpeza, manutenção e prevenção daquilo que ainda nos resta", constatou ainda.

O vereador disse, na carta, que Rogério Rodrigues deve "reconhecer que nada fez do que os marinhenses esperavam". E acrescentou: "Se a mata é dos marinhenses, dir-lhe-ei que nos espoliaram dois milhões de euros por ano, durante 25 anos, reinvestindo praticamente nada".

O autarca reforçou que "as despesas atuais, apesar da responsabilidade do ICNF, têm sido assumidas por privados" e recordou que foi "a Câmara, com dinheiro dos impostos dos marinhenses, que pagou mais de 110.000 euros em sinalética e blocos de betão para fechar as estradas".

"Se tem realmente esse dinheiro e já que a senhora presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande não o fez, eu, como vereador, exijo que reembolse de imediato a Câmara. Não o fazendo, vamos continuar a ouvir o ICNF e o governo a dizer (e agradecer) os bons serviços deste Município", reclamou.

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