Universidades vão receber alunos internacionais

As universidades portuguesas deverão começar a receber estudantes internacionais no próximo ano, segundo o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) depois de uma reunião no Ministério da Educação sobre a reorganização da rede do Ensino Superior.

Durante três horas, o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, esteve reunido com os reitores das universidades e presidentes dos Conselhos Gerais para debater a reorganização da rede do Ensino Superior.

No final do encontro, o presidente do CRUP, António Rendas, anunciou que já no próximo ano deverá haver "uma via de entrada que permitirá às universidades ter estudantes internacionais", uma vez que o estatuto do estudante internacional "teve o acolhimento favorável" do secretário de estado.

Em declarações aos jornalistas, José Ferreira Gomes disse que o diploma do estudante internacional deverá estar pronto antes do natal.

Mas a principal razão do encontro de hoje no ministério era a reestruturação da rede do ensino superior, tendo sido criado um grupo de trabalho encarregue de apresentar "nos próximos meses ao Governo" um projeto de reestruturação, afirmou António Rendas.

O grupo de trabalho, que conta com peritos nacionais e internacionais, será liderado pelo antigo ministro da Educação e antigo presidente do CRUP, Júlio Pedrosa, que disse estar a trabalhar com base num estudo apresentado pelo CRUP.

O CRUP apresentou em fevereiro deste ano um estudo - "Uma vista global do Exterior" - que continha 43 recomendações. As recomendações foram entretanto reduzidas a 20 e será sobre essas que o grupo irá trabalhar, explicou Júlio Pedrosa, escusando-se a adiantar quais as recomendações em causa.

Júlio Pedrosa garantiu no entanto que "o estudo não aponta para que a rede seja diminuída mas seja cuidadosamente analisada a melhor forma de a usar para o desenvolvimento do país".

"É diferente o papel que terão as instituições que estão colocadas neste deserto interior que se está a formar e o papel que têm instituições que estão em Lisboa. São realidades diferentes. Portanto, vamos olhar para a rede e vamos olhar para aquilo que essa rede deve e pode fazer, para termos um país diferente do que temos hoje", explicou o ex-ministro.

Júlio Pedrosa sublinhou as diferenças entre universidades e politécnicos e a necessidade de sublinhar essa diferença: "As universidades têm um percurso consolidado de investigação de qualidade e de percurso diferente dos politécnicos" e é preciso "consolidar uma rede de ensino superior diferenciada em que se nota de maneira mais evidente qual é a rede de ensino politécnico e universitária".

"Vamos recolher nos próximos meses todos os contributos para rapidamente sintetizar e chegar a soluções que melhorem progressivamente a nossa rede", disse o secretário de Estado, sublinhando que os contributos partem das universidades mas também dos politécnicos.

Sobre novos cortes no Ensino Superior, o secretário de Estado referiu que no MEC "não está a ser estudada quaisquer hipóteses de cortes", lembrando no entanto que o Orçamento do Estado será aprovado no Parlamento.

António Rendas sublinhou ainda o facto de ter começado já hoje a ser preparado o processo de acesso ao ensino superior do próximo ano.

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